Amarillo Slim, prop bets e a não aposta

As prop bets (proposition bets, ou também conhecidas como side bets), são por convenção separadas em dois tipos: apostas que são feitas sobre a ocorrência de um evento, como por exemplo apostar que o flop vai trazer apenas cartas pretas ou qualquer outro tipo de combinação no bordo; e apostas que consistem em propor ao adversário um desafio, colocando-o numa situação em que ele tenha que cumprir alguma tarefa. Exemplos para essas apostas não faltam, vão desde o famoso last longer (onde o último jogador a ser eliminado num torneio ganha dos demais eliminados o montante apostado), até bets mais peculiares como ficar um ano sem comer carne, ou sem fazer sexo.

As side bets entre jogadores de poker eventualmente são noticiadas quando envolvem figurões, grandes quantias de dinheiro ou algo inusitado. Foi o caso da prop bet contra o profissional Antonio Esfandiari durante o Main Event do PCA no começo de 2016, que acabou por desclassificá-lo. The Magician, como é conhecido Esfandiari, resolveu tentar a mágica de urinar à beira da mesa, dentro de uma garrafa, para não ter que caminhar até o banheiro, pois a condição da aposta que ele aceitou consistia em andar de um jeito estranho, apoiando os joelhos no chão a cada passo, por longas 48 horas. Durante esse período e com as pernas já em frangalhos, o jogador decidiu transformar o salão do PCA em banheiro e uma garrafinha em mictório. A direção não gostou, e ele ganhou a própria eliminação do torneio, contudo, levou a aposta.

Para se redimir publicamente, o mágico optou por doar o dinheiro ganho na aposta para instituições de caridade, seguido de um pedido de desculpas. Em suas palavras: “I believe in balance, and my life would not be in balance if I kept this money for myself.” Algo como: Eu acredito em equilíbrio, e minha vida não estaria equilibrada se eu mantivesse esse dinheiro comigo.

Por vezes, esse tipo de prop bet é usada como forma de estímulo, como se o jogador apostasse contra si mesmo, aceitando uma condição apresentada (a aposta) para estimular a chegada a um objetivo, por exemplo quando Ivey e Negreanu propuseram na WSOP de 2014 que um dos dois levaria um bracelete de campeão, dobrando o valor de quem apostasse contra. Nessa mesma linha de auto-desafio, o jogador brasileiro Marcelo Freire, conhecido no poker online pelo apelido de Urubu, lançou há dois anos uma prop bet no conhecido fórum de poker Two Plus Two. O bet consistia em jogar 500 mil mãos de Pot Limit Omaha online num período de 45 dias e ainda sim sair lucrativo. Urubu jogou a toalha antes de completar a empreitada, mas mesmo assim ganhou o respeito da comunidade de poker pelo seu empenho, como você pode conferir nesse post do fórum Two Plus Two. A prop bet do momento: Vanessa Selbst apostou contra Jason Mercier que ele não conseguiria ganhar três braceletes na WSOP deste ano, mas acontece que Mercier já faturou duas jóias da World Series e aceitou a aposta casando 10 mil dólares, mas Selbst pode ter que amargar o pagamento de 1,8 milhões de dólares se o desafiado conquistar o terceiro.

Pois bem, há algo de interessante sobre essas apostas. Nas side bets do primeiro caso, a ocorrência do evento não é controlável, quero dizer, um flop de cartas apenas vermelhas é um acaso com chances de acontecer conhecidas, porém uma casualidade. No segundo caso, quando há o desafiado, está presente uma ideia de controle, no sentido que há um agente que é parte atuante na dinâmica da aposta, ou seja, em tese, depende mais do desafiado do que do acaso. Em tese, pois o desafiado pretende o controle, enquanto que o desafiador aposta na falta dele.

Esfandiari aceitou a prop bet acreditando que manteria o controle da situação, o que acabou por ficar mais na teoria, pois não basta apenas mentalizar o objetivo, é preciso considerar uma relação com o próprio corpo, e porque não dizer, com o corpo social. Mesmo tendo ganhado a aposta ele não conseguiu ficar com o prêmio, afinal, em sociedade, aspectos morais são tão ou mais valiosos que dinheiro, o que abre outra questão.

Antes de tudo, o desafiado precisa crer numa troca simbólica, ou seja, considerar se o esforço vale à pena moralmente e não apenas em função da quantia em dinheiro. Relação que, no caso de Esfandiari, ficou perceptível no desfecho, quando ele optou por devolver o prêmio por ter infringido uma moral maior que o jogo. Na recente prop bet de 600 mil dólares contra Dan Bilzerian também há uma situação onde aspectos morais estão presentes, aceitar percorrer em 48 horas quilômetros de bicicleta de Los Angeles até Las Vegas geraria aparições na mídia e nas redes sociais. Sair bem na foto (ou no Instagram) é um modo de se relacionar socialmente muito comum de nosso tempo, algo já considerado usual.

Acontece que as apostas paralelas fazem parte da cultura do poker, como se fossem manifestações de um comportamento natural dos jogadores de poker.

Na época da gênese do poker moderno, no final da década de 60, Doyle Brunson, Sailor Roberts e Amarillo Slim, antes de jogadores de poker, eram apostadores em busca de qualquer vantagem, e talvez aqui esteja a origem desse comportamento comum e das prop bets tão difundidas na comunidade do poker. E, em se tratando de apostas e desse trio de notáveis, é preciso destacar um deles, Thomas Austin Preston Jr, mais conhecido como Amarillo Slim. Carregando e forjando o estereótipo do caubói-jogador, que supreendentemente ajudou a mudar o estigmatizado poker participando de várias entrevistas em programas de TV após sua vitória no Main Event da WSOP de 1974, e que ficou muito mais conhecido por suas extravagantes proposition bets.

Amarillo Slim se utilizava de uma lógica peculiar, ao invés de “achar o pato na mesa” como de costume, ele transformava o campeão em pato, desafiando seus adversários em seus campos de atuação. Dentre suas tantas prop bets conhecidas, podemos citar duas: Amarillo apostou contra o lendário cavalo campeão Seabiscuit, propondo que o venceria numa corrida de 100 jardas. A única condição imposta por ele foi a de escolher a pista, e o fez num trajeto ida e volta de 50 jardas. Seabiscuit, um cavalo sabidamente veloz, disparou na primeira metade da corrida, mas o jóquei que o montava teve um problema esperado por Amarillo, o de desacelerar e acalmar seu pilotado no momento de fazer o retorno. Enquanto isso, Amarillo alcançava a linha de chegada, puxando a aposta com uma estratégia vencedora. Noutra ocasião, propôs para o já aposentado campeão de tênis Bobby Riggs que poderia vencê-lo numa mesa de ping-pong desde que pudesse escolher as raquetes. Slim treinou previamente antes da partida, e bateu o tenista quando apresentou frigideiras no lugar das raquetes.

De algum jeito, o que há de incomum entre todas as prop bets apresentadas é exatamente a qualidade da troca. Enquanto Bilzerian e Esfandiari já perderam de vista o porquê da aposta mesmo seguindo o costume, e Mercier e Urubu usam as apostas como desafio extra-jogo, as side bets do caubói Amarillo Slim vão em outra direção, são apostas no sentido mais estrito da ideia de jogo, pois o risco e o blefe são a dinâmica própria criada por ele para vencer o desafio, ou seja, não bastava para Amarilo seguir a regra, mas inventá-la. Para o campeão da WSOP de 74, simplesmente seguir o jogo seria como uma não aposta, talvez porque ele não acreditasse na tal “naturalidade”, no costume, no comportamento comum.

Que tipo de jogador você gostaria de ser? Um que inventa um jogo dentro do jogo, ou alguém que tem muitos seguidores no Instagram? Alguns diriam que nenhum deles, senão o mais ganhador. Mas não se engane, se há algo sobre apostas que devemos considerar é que cada jogador as faz em função da troca simbólica que lhe convém, e por vezes, por trocas que nem mesmo percebem.

 

Fontes: Pokernews, Two Plus Two, MaisEV, Telegraph e Wikipedia. Imagem: Shutterstock.com (editada)

Crítica do documentário Nosebleed, e o esforço conjunto dos usuários do MaisEV


Ative as legendas clicando no ícone na barra do vídeo

Nosebleed é o documentário do diretor Victor Saumont, lançado independente e com recursos próprios, que retrata dois jovens jogadores franceses de cash game high stakes movidos pelo desejo de conquistar um bracelete na World Series of Poker. Alex Luneau e Sebastien Sabic são os protagonistas apresentados logo no início do filme num apartamento em Londres, jogando milhares de dólares no poker online, ao que parece, da cozinha de casa.

noseLuneau e Sabic olham para o poker de forma bastante realista, falam do início de suas carreiras e o que os levou para os mixed games, e mostram que mesmo nos limites mais altos, sempre há espaço para contar uma parada, reclamar da jogada dos parceiros, e comemorar um pote. Ambos são, apesar de terem 27 anos, veteranos do universo restrito dos high stakes, e perder e ganhar quantias milionárias é corriqueiro. Como consequência disso a atmosfera que envolve os franceses é a de que nada os afeta de fato, o que pode aparentemente mostrá-los como dois jovens metidos, mas ao que parece, não é esse o ponto. Para usar um termo em francês, a indiferença deles em relação a tudo que os circunda confere aos dois um ar blasé, talvez por isso o pouco ânimo e a expressão de tédio. Nesse sentido, a vida de ambos parece ser uma espera por um fish na mesa, e seja na parede de escalada, no treino de boxe, na balada ou nos inúmeros e caros jantares, o tempo fora do poker é espera. As vigílias que eles se referem na época em que Hansen e Isildur doavam uma boa grana nas mesas de cash ilustram bem esse ponto.

É por isso que a busca por um bracelete se torna a busca pelo que falta, algo pelo que batalhar, o que trará um prestígio ainda não conquistado, um sentido. Mas ao longo do documentário os hábeis jogadores de cash se deparam com uma barreira ao disputar os eventos da WSOP, mas esta barreira não é falta de capacidade, é a confirmação da natureza única dos torneios, uma maratona que por vezes pune um poker bem jogado. Contudo, as palavras de Luneau são contundentes, há alguma coisa de especial, um adrenalina quando se alcança a mesa final. Por isso, o ponto forte do filme está em evidenciar uma realidade pouco mostrada pela mídia do poker, em Nosebleed, o real sobrepõe as visões idealizadas da propaganda do jogo, e é desta forma que o documentário retrata com êxito os bastidores e tenta explorar a essência do poker.

Há passagens interessantes no documentário, como por exemplo quando Luneau cita o jogador Davidi Kitai, que segundo ele construiu um estilo de jogo todo baseado em tells, de forma a fazer um jogo que beira o perfeito. Ou quando Luneau conversa com o compatriota Bruno Fitoussi, e fala que foi bom o período que passou na Tailândia, mas que depois de um tempo é bom voltar para vida real, ainda que sua vida real possa parecer irreal para a grande maioria dos jogadores. Noutro momento, Luneau está reunido na recepção do hotel com alguns amigos, incluindo Sabic, e faz uma brincadeira entre as odds de morrer contra as odds de vencer o ME da WSOP. E a melhor passagem de Sabic está na parte final do filme, quando durante uma caminhada, fala de como vê o jogo e do apelo de mercado que os torneios têm.

De outro lado, o escárnio direcionado principalmente à Gus Hansen chega a ser demasiado, não apenas nos momentos em que o Great Dane é citado com deboche repetidamente pelos franceses, mas exatamente na hora em que, durante a WSOP de 2014, Hansen não recebe atenção ao se aproximar de Luneau, que está disputando um evento da série. A imagem nesse momento diz mais que as palavras, e a filmagem segue com Gus indo de um lado para o outro, e depois sentando numa mesa vazia. Na tomada seguinte, uma rápida aparição do dinamarquês, pra confirmar que na cadeia alimentar do poker, alguém precisa perder, e por vezes, muita grana. Curioso notar também que Hansen, apesar de ser o fish preferido da dupla francesa, ganhou um bracelete da WSOPE, justamente o que Luneau e Sabic almejam.

Aparte disso, é importante lembrar que a versão do documentário traduzida para o português foi um esforço conjunto dos frequentadores do fórum MaisEV, que fizeram uma vaquinha para custear o trabalho de tradução executado por Airton_Neto e luigibr. Posteriormente, em comum acordo, todos optaram por liberar o vídeo gratuitamente, e não mantê-lo restrito apenas para quem contribuiu. A versão legendada em português está criteriosa e bem feita, principalmente porque os tradutores entendem do assunto e optaram por usar termos comuns que usamos aqui no Brasil para falar do jogo, sem forçar traduções literais. O vídeo tem sido compartilhado e publicado em alguns sites, mas poucos se atentam em dar o crédito. O Pokerdoc mencionou, e fica aqui também registrado.

hansen1euroE para quem gostou da iniciativa de Victor Saumont e de seu documentário, doações podem ser feitas para o diretor nesta página. E saiba você que até Gus Hansen doou, apenas um euro, talvez seja a forma que ele encontrou de devolver o escárnio, depois de ser o coadjuvante mais falado do filme.

 

 

Fontes: Pokerdoc, Fórum TwoPlusTwo, Fórum MaisEV, WSOP.com. Créditos: Nosebleed de Victor Saumont no YouTube, legendas em português por Airton_Neto e luigibr do MaisEV.

Considerações sobre a polêmica de Daniel Colman no One Drop

Sobre a declaração de Colman

Daniel Colman poderia ter falado com a imprensa após a vitória, e se dissesse o que queria, possivelmente não seria mostrado da forma que desejava. Por isso quando ele opta por responder pelo canal que julga independente e mais próximo dele, o fórum de poker Two Plus Two, ele quer garantir a qualidade e a totalidade do que deseja falar. É principalmente para quem pensa o jogo que ele está falando.

Aparte o conteúdo de seu discurso, que pode ser interpretado de diversas maneiras, e colocado de uma forma maniqueísta que divide as coisas apenas como certas ou erradas, o importante é que sua reação trouxe para a superfície um assunto que o mercado não lida muito, e esse parece ser seu grande mérito nisso tudo. Se sua posição é boa ou não, o relevante é o fato de ter detonado a discussão.

 

Julgamentos e argumentações

É tão inadmissível para os que promovem o jogo aceitarem a argumentação de Colman, que a única estratégia de contra-ataque possível à eles é desmerecer o adversário, julgando-o como imaturo, criança petulante, muito jovem, hipócrita, controverso e impreciso demais. E é assim que o ponto fundamental da discussão, que é o formato pelo qual se promove o jogo, é deixado de lado, e a maioria das reações ficam pautadas pela ótica da grana, da culpa por tê-la e da redenção presente no ato de transformá-la em altruísmo. Se você não aceita levar vantagem num jogo cruel, então devolva todo o dinheiro, ou reverta para quem precisa, é o que dizem dos fóruns de poker e comentários nos blogs.

Seguindo essa linha de argumentação, porque então os demais jogadores não fazem o mesmo e revertem seus ganhos para a grande maioria que perde no jogo? Afinal ninguém discorda que a maior parte dos jogadores não é vencedora. É por isso que essa defesa parece fraca, e deixa a discussão estagnada, numa busca por quem está certo ou errado, tentando passar a culpa de um para o outro. Não se sabe se Colman ou Negreanu ajudam a alguém ou a alguma instituição, mas isso não altera essa perspectiva do jogo, afinal os mais preparados vão continuar ganhando, e a propaganda vai continuar sendo feita para atrair mais e mais praticantes.

 

O lado sombrio

Não é porque diversas outras atividades têm em comum com o poker o tal lado “sombrio” que temos que deixar de discutir o jogo e o mercado, e ao que parece, não é esse o ponto quando Colman critica a cultura do ego e do sucesso, e principalmente a propaganda do jogo. Em nenhum momento ele falou alguma mentira, tanto é que não se pode negar o que ele disse, só resta procurar entender sua atitude e discutir o assunto. Mas o caminho comum é o julgamento. Os organizadores sempre vão promover o jogo transformando-o em espetáculo, mas as mídias podem fazer mais mostrando as realidades que permeiam o poker.

 

A resposta de Negreanu

Negreanu claramente concorda em partes com Colman, mas seu pedido direto para o campeão do One Drop passa a mensagem velada de que há uma verdade maior a ser seguida, de forma a abrandar a discussão e terminar logo com a polêmica, afinal ele é apenas um garoto de 24 anos, e possivelmente não sabe o que está fazendo. Só que grande parte das pessoas que não são mais tão jovens quanto Colman parecem ter percebido com sua “experiência” que é mais importante dar manutenção à um sistema que fazem parte do que discutir ou considerar seu discurso. Colocar em pauta esse e outros diversos assuntos é informar e gerar não apenas jogadores mais pensantes sobre sua atividade, mas também um mercado mais preparado.

O que está se perdendo de vista é que independente do formato da comunicação ou dos aspectos presentes no poker, sempre haverá um mercado e alguém o explorando, mas talvez apenas Colman tenha uma inclinação, perceptível em suas palavras, de que o mais importante é a forma com a qual lidamos, interpretamos e nos posicionamos no poker. Isso é ser crítico, e não hipócrita.

 

Links importantes para a discussão

Reportagem do Pokernews (em inglês)
Reportagem de Case Keefer no Las Vegas Sun (em inglês)
Declaração de Colman no Two Plus Two (em inglês)
Reportagem do Pokerdoc com a tradução da declaração de Colman
Opinião de Thiago Pessoa no Quero Ser Shark
Artigo de Naccarato no Metapoker sobre a atitude do campeão
Tópico no fórum MaisEV
Metagame especial WSOP com Sergio Prado e Vitão Marques
Resposta de Daniel Negreanu (em inglês)
Reportagem do Pokerdoc com a tradução da declaração de Negreanu
Opinião de André Akkari
Opinião de João Simão
Opinião de Vitão Marques
Vitão entrevistando jogadores sobre a polêmica

Para Daniel Colman, ganhador do torneio milionário One Drop, vencer foi a gota d’água

Daniel, não o tão esperado Negreanu, mas seu adversário, cravou o torneio de poker de buy-in mais estratosférico da WSOP deste ano. Afora todo o torneio, as jogadas, mãos decisivas e  eliminações, o assunto mais contundente após a cravada foi o comportamento do campeão em relação à imprensa, se negando a ceder entrevista e alheio às fotos e poses esperadas. Para se interar do ocorrido, recomendo a reportagem do Pokerdoc, que conta com a resposta do campeão sobre a polêmica, e que você pode ler clicando aqui.

Na ótica de quem promove o jogo, Colman não pode se abster de participar da promoção estimulada pela imprensa, não pode parecer contraditório ou conflitante, pois julga-se que tal atitude é falta de posicionamento, ou pelo menos uma forma imatura de posicionamento. Contudo, a imaturidade veio do lado de quem critica.

Por sorte, Colman permanece em dúvida, pois através dela é possível ponderar sobre o mundo ao redor e dar mais um passo em direção ao entendimento, considerando as inúmeras realidades e visões intrínsecas ao jogo. Colman não precisa dar manutenção ao espetáculo que não criou, e escolheu veementemente não se utilizar desse canal para tanto. É desta forma que seu não discurso se torna discurso.

Importante perceber nesse mesmo discurso, que a racionalidade que Colman encontrou no poker, a mesma que o atrai e faz com que ele permaneça no jogo, se tornou parâmetro para a própria crítica ao mercado, visto que a propaganda da indústria do poker está majoritariamente voltada para o apelo emocional na busca por novos praticantes.

Talvez ele não careça dos tão almejados louros da vitória, ou de todo o status e exposição envolvidos numa conquista cobiçada e representativa como esta. Talvez ele não precise se jogar em frente aos holofotes deflagrando sintomas de alguém que está perdido e carente de qualquer tipo de atenção, ou não queira capitalizar qualquer outro valor além da vitória em si.

Colman com sua opinião, em tempos onde não se deve emitir opinião, torna-se o não heroi do poker (e não o inimigo), pelo simples fato de que não há nada a ser salvo senão nossas próprias relações em sociedade e a necessidade de reflexão há tanto deixada de lado. E falando nisso, se ele não deve nada ao poker, como disse em seu post no Two Plus Two, o poker deve à ele uma pausa para reflexão.

 

Créditos: Pokerdoc, e post original em inglês de Colman no fórum Two Plus Two. Foto: Shutterstock

WSOP, séries de Las Vegas e muito poker

Daqui quatro dias começa a 45.a edição da World Series of Poker, com 65 eventos entre os dias 27 de maio e 14 de julho em Las Vegas. O tão falado torneio Big One for One Drop está de volta com o buy-in quase modesto de um milhão de dólares, e se o field chegar a 56 jogadores, a expectativa de premiação para o campeão é de mais de 20 milhões, além de um bracelete de platina.

Além do Big One e dos tradicionas Poker Player Champioship ($50 mil de buy-in) e o aguardado Main Event, outros torneios notáveis são o Evento #08 – Millionaire Maker NLH, com buy-in de 1.500 dólares e um milhão garantido ao campeão; e o Evento #41 – Dealer’s Choice, um 6-handed com buy-in de dez mil pratas e 16 modalidades de poker à escolha do jogador que estiver no assento do botão. Deepstacks diários e com preços mais em conta, mas sem valer bracelete, ocorrem em três horários, 3 e 6 da tarde e 10 da noite. Para o cronograma completo da WSOP, clique aqui.

Importante saber que nesta edição da WSOP, jogadores não-americanos terão que apresentar, além de um documento como o passaporte, um comprovante de residência para efetuar sua inscrição em qualquer um dos eventos, conforme divulgado pelo PokerNews nessa quinta-feira, após a organização da WSOP informar a novidade pelo seu canal no twitter.

Nesse período, Vegas não é apenas WSOP, e há uma enxurrada de séries e torneios que acontecem na cidade. Além dos torneios diários em grande parte dos cassinos, Golden Nugget, Venetian, Bellagio, Planet Hollywood e Aria também divulgaram as agendas de suas séries de poker. Pra quem vai à Sin City, uma grata iniciativa, o jogador belga Kenny Hallaert (@SpaceyFCB) divulgou no fórum TwoPlusTwo uma planilha bem trabalhada, compilando a listagem de todas as séries de poker que ocorrem entre maio e julho deste ano. Para ver o tópico no TwoPlusTwo, clique aqui, e para baixar a planilha, clique aqui.

Pra quem vai e pra quem fica, mas está curioso sobre a dinâmica do poker em las Vegas, uma dica de leitura é o livro Floating in Vegas, que fala do small stakes poker da cidade, e pode ser comprado por R$ 29,90 na Loja MaisEV.

Fontes: PokerNews, WSOP.com, Loja MaisEV, TwoPlusTwo e Kenny Hallaert. Foto: Las Vegas Strip (M. Naccarato)

TiltBook, a rede social de poker

Aparentemente simples, o Tiltbook é um site de poker que pega carona na onda das redes sociais, e já conta com quase 14 mil usuários, conforme a contagem escancarada em sua home page.

Lançado na segunda metade de 2012, a rede social projetada para jogadores de poker é uma crescente comunidade voltada para o joguinho, onde você pode compartilhar livremente resultados, pensamentos e chororô, sem correr o risco de ser mal interpretado por quem não manja do assunto, como acontece no Facebook e Twitter. Ao menos é o que diz o site PokerNews, em matéria do final de março deste ano, que aparentemente parece estar promovendo o Tiltbook, e até fez uma reportagem com os dez melhores posts da página no ano passado (clique aqui e confira).

Em seu vídeo promocional no YouTube (ao final desta página), o Tiltbook aparece como uma solução para quem está cansado das bad beats e dos fóruns de poker. E foi justamente no fórum TwoPlusTwo, que encontramos um usuário desconfiando da legitimidade do site, alegando que trata-se apenas de uma forma de obter dados dos jogadores.

Se você se interessou, o cadastro pode ser feito rapidamente, o manuseio é simples e logo se entende como funciona, porém, não espere encontrar algo cheio de funcionalidades e similar ao Facebook.

Confira o vídeo promocional do Tiltbook

 

Fontes: PokerNews, TwoPlusTwo e TiltBook. Foto: reprodução