Entrevista: Lizia Trevisan e Mercedes Henriques do Queens of Poker

Neste mês de fevereiro, o grupo Queens of Poker completa um ano de atividade promovendo o jogo entre as mulheres, e no dia 22 deste mês vai comemorar oferecendo um freeroll com premiação de 1.000 dólares na plataforma Betmotion. Mais informações podem ser encontradas no site do Queens of Poker e na fanpage no facebook. Aproveitando o ensejo do aniversário, nesta entrevista dupla, Lizia Trevisan e Mercedes Henriques, duas das fundadoras do grupo, falam um pouco sobre o que as motiva para o jogo, tecem suas opiniões sobre alguns assuntos específicos da realidade feminina nos panos, e falam como enxergam o mercado.


Como vocês veem a evolução da presença feminina no poker de um ano pra cá? Houve crescimento? O que se tira de positivo desse esforço? A criação do Queens gerou um engajamento maior de quem já está na comunidade do poker?

Lizia: 2014 foi muito importante para o poker feminino, tivemos resultados expressivos em grandes torneios, criação de iniciativas como o Akkari Team Micro Feminino, mais mulheres se profissionalizaram e houve aumento do field. O grande desafio do Queens of Poker foi reunir as jogadoras e promover oportunidades. Acredito que cumprimos com esses objetivos e, mais importante, temos o apoio das mulheres. A boa receptividade da comunidade do poker foi um termômetro para a nossa iniciativa, há carência desses espaços e buscamos agregar ao poker feminino.

Mercedes: Eu acredito que sim, temos ouvido falar mais de torneios femininos, e logo que criamos o grupo, teve uma febre de movimentos. Acho que houve uma maior participação tanto dos clubes quanto dos empresários, salas de poker se dispuseram a dar apoio, e as profissionais da área tiveram suas conquistas divulgadas, e isso não existia, quase não se ouvia falar dessas jogadoras com a frequência que elas mereciam.


No início do ano passado, o Akkari Team Micro montou sua primeira turma somente de mulheres, e o diretor técnico Leonardo Bueno escreveu em seu blog um artigo sobre as diferenças de treinamento e comportamento entre homens e mulheres (
Porque mulheres não têm tanto sucesso no poker). A Lizia Trevisan também deixou sua opinião no blog, que inclusive gerou uma boa troca de ideias em outro post. Como vocês entenderam a mensagem, e que posicionamento vocês têm em relação ao artigo dele?

Lizia Trevisan
Lizia Trevisan

L: O texto do Leonardo Bueno foi de opinião. Como o nome já diz, reflete uma visão pessoal. Algumas pessoas se identificam, outras não. Em síntese, ele atribui a falta de resultados das mulheres no poker à uma excessiva passionalidade da personalidade feminina. Ao final, ele encorajou que os leitores postassem a sua opinião, e foi o que fiz. Como jogadora, não me identifico com esse estereótipo. Acredito em estatística, e menos de 5% do field é feminino, logo o percentual de mulheres nas finais é muito inferior ao dos homens. Outra questão importante é o ingresso tardio das mulheres no poker, volume e estudo são primordiais para resultados. Super válidas tais discussões e somente com elas vamos entender a evolução e desafios do poker feminino.

M: Deixo por conta da Lizia a resposta, mas esse evento nos deu vontade de seguir em frente.


Também no início de 2014, a jogadora Milena Magrini alcançou a FT numa etapa da Brazilian Series of Poker, e posteriormente Igianne Bertoldi cravou o main event em Foz do Iguaçu. Até que ponto vocês entendem que isso contribui com uma maior participação feminina? Esse fato faz diferença para atrair as mulheres para os torneios ao vivo?

L: Feitos como os da Milena e Igianne são inspiradores, e acredito que motivou não só a mim. Elas provaram que é possível alcançar resultados, a revelia de um field numeroso, difícil e de maioria masculina esmagadora. Confesso que em ambas as situações torci e sofri muito, algo que o poker proporciona que acho fantástico.

M: Claro que sim, acho que as mulheres estão mais motivadas e confiantes. Nós aqui no grupo criamos alguns banners com os dizeres “Eu Vou”, então, a cada evento colocamos as jogadoras que estarão jogando, tanto no Ladies como no Main Event. Isso chama a atenção para a presença delas no BSOP, os organizadores também estão melhorando a premiação, e incluindo até outras formas de presentes na hora do evento feminine. Sentimos que isso tem influência de nosso grupo. Conseguimos apoio para oferecer buy-in no BSOP MIllions e criamos um ranking, o que motivou demais as meninas, e ter jogadoras como Milena Magrini, Igianne Bertoldi e Ale Braga, são exemplos de jogadoras batalhadoras que sabem o que querem.


Vocês ainda sentem que o público masculino, maioria nos fields, desdenha das mulheres como jogadoras de poker?

L: Quando ocorre, acredito que em maioria se dá de forma intrínseca. No online, por exemplo, é comum jogadores demonstrarem incredulidade quanto ao fato de eu ser mulher, e acredito que não ocorre só comigo. No live, onde temos mais impressões, há literalmente de tudo. Por experiência pessoal, vivenciei situações desagradáveis, mas felizmente a grande maioria é cordial e apoia a participação feminina. Minha percepção é que não é somente no poker que encontramos situações onde a mulher é subestimada, a história está aí como testemunha disso.

M: Não abertamente, eles respeitam as mulheres nas mesas e nos eventos, mas às vezes acontecem casos como o que o Vitão da TV Superpoker falou tão profundamente, sobre o cara que cravou o Ladies do EPT, e mais cinco homens foram para a mesa final, porque na França eles não podem impedir os homens de se registrarem. Nossa, particularmente fiquei chocada! Pois existem muito mais eventos para homens, e não vi necessidade desse comportamento, então eu presumo que ele queria provar superioridade masculina.


Justamente a próxima pergunta, Mercedes. Recentemente, no EPT Deauville, o torneio para mulheres teve uma massiva presença masculina no field, e como resultado, a vitória de um homem, derrotando uma mulher no heads up final. Como vocês entendem esse tipo de situação?

O card-protector das Queens no BSOP
O card-protector das Queens no BSOP

L: Faço uma crítica para nós mulheres. Tal fato ocorreu porque não nos organizamos como um público consumidor de poker, deixando de opinar e agir numa situação de interesse comum. No momento em que tomasse conhecimento da participação masculina, me recusaria a jogar o evento e exigiria o reembolso do buyn. Se todas agissem em conjunto, pressionariam a organização, visto que a proporção do field foi de 61 mulheres para 22 homens. Mesmo que tal atitude não culminasse com a retirada dos homens, demonstraria a insatisfação quanto ao fato, e promoveria o debate sobre o assunto. Quando cruzamos os braços, consentimos com o que está sendo imposto.

M: Lamentável, fiquei sem palavras quando li a notícia, e até postei no grupo. Lamento mais a nossa representante ter perdido para esse ser que se diz homem e se registra em um torneio feminino, na verdade 22 homens se registraram, e a direção do torneio não quiz ser acusada de sexismo. Muito absurdo pra mim, mas que sirva de exemplo para que não aconteça em nosso país.


O que vocês acham das artimanhas usadas pelas mulheres quando dizem explorar seu lado sensual no jogo para obter vantagem? Contextualizando, recentemente a jogadora e modelo belga Gaëlle García Díaz afirmou que usa decotes para que os oponentes evitem eliminá-la nos torneios.

L: Honestamente, nunca testemunhei nenhuma mulher afirmando que faz uso de tais artimanhas. Já vi fotos de jogadoras com decotes, o que é uma prerrogativa pessoal. Se vai contra a convenção social, que os organizadores façam regras quanto a vestimenta. No mais, acredito ser uma exposição gratuita. Para que nos trajar de forma sensual, se na maioria das vezes somos únicas nas mesas e isso já chama mais atenção do que gostaria? Às vezes sinto ter na minha testa os dizeres “big molezinha, mulher é ultra tight, só encontraremos resistência com o topo do range”.

M: Acho que, como em tudo na vida, existem comportamentos e comportamentos, toda mulher, seja jogadora ou não, deve se dar ao respeito se quer ser respeitada. Concordo que as mulheres se arrumem bem vestidas para jogar, mas isso de explorar o lado sensual foge do objetivo que é mostrar sua capacidade de jogar bem o jogo, mas não é uma atitude geral, são exceções que agem dessa forma.


Lízia, você comentou que o desdém masculino é exceção, mas agora falou do “big molezinha” como se fosse corriqueiro. Não é contraditório?

L: Por isso falei, às vezes. O poker é um jogo que envolve psicologia e é um evento social. Cada jogador opta por uma linha de estratégia psicológica, alguns preferem não interagir, outros falam por todos nas mesas. Há casos de alguns que têm como objetivo tiltar os oponentes. Se todas essas condutas são aceitáveis, por que fazer “charminho” não seria?

M: Como eu disse, são excessões que usam esse artifício, não dá para generalizar.

 

Mercedes Henriques
Mercedes Henriques

Mercedes, num artigo publicado no Metapoker em 2014, você sinalizou o contrassenso na exploração da imagem da mulher na propaganda do poker. A Lizia também manifestou em alguns artigos seu posicionamento em relação a participação das mulheres no jogo. Vocês acham que esse panorama mudou?

L: Acredito que o mercado foi focado por muito tempo no público masculino, por razões óbvias. Quando o mesmo resolveu alcançar o público feminino, o fez em algumas ocasiões de forma deturpada, utilizando imagens sensuais de mulheres, penso que no intuito de atrair ambos os públicos. O mercado amadureu, e em conjunto com o desafio de desmistificar o poker como jogo de azar, promove o esporte de forma mais séria, buscando associar sua imagem aos esportistas renomados, por exemplo. No cenário atual, não há como um clube ou evento passar credibilidade tendo como propaganda uma mulher seminua.

M: Na verdade, o artigo que escrevi teve um resultado imediato, o clube tinha usado a imagem de uma mulher semi-nua com fichas e cartas espalhadas sobre o corpo. Eles retiraram do ar e  colocaram de outra forma, e de lá pra cá, sim, mudou bastante a forma de abordagem da mídia sobre o assunto.


Falando em esporte, pra vocês, poker é esporte?

L: Eu tenho duas respostas para essa questão. Vejo jogadores, profissionais ou amadores, se esforçando para evoluir, lutando diariamente de forma responsável, tendo a consciência de toda a dificuldade e desafio quando optam pelo poker como profissão ou paixão. Para esses é esporte. Vejo também jogadores que focam no dinheiro, no prêmio. Para esses, o poker é bingo. Entendo o poker como esporte quando a premiação é secundária. O dia que eu não ficar feliz por cravar um torneio, por mais irrisória que seja a premiação, pararei de jogar poker.

M: Acho que é um jogo que conta com astúcia e sorte! Com treinamento certo funciona mais a inteligência!
 Essa é a forma que estão utilizando para desmistificar o jogo, gosto do nome esporte da mente. Realmente, alguns conseguem exercitar a mente, outros só fazem baralhadas.


Por que vocês acham importante aumentar a presença das mulheres no poker? Na opinião de vocês, o que as afasta?

L: A mulher eleva o nível do ambiente e dá credibilidade ao poker. Não entendo o poker como esporte democrático e inclusivo sem a participação feminina. Não me vejo frequentando um ambiente predominantemente noturno, em que eu seja a única mulher. O poker só tem a ganhar com a participação feminina. Vejo nas mulheres todas as qualidades necessárias para a prática do poker. Num artigo, arrisquei: Fica a pergunta, por que há tão poucas mulheres praticantes de poker? Se observarmos o universo dos jogos, veremos que a maioria é de homens. Por exemplo, na relação de pessoas que você conhece que gostam de vídeo-game, a maioria não é de homens? Nos churrascos, as esposas e namoradas não torcem o nariz quando o truco começa? Talvez esta competitividade que envolve os jogos seja inerente à personalidade masculina. Mas, se alguém tiver essa resposta, por favor avise-me.

M: Bom, aumentar a presença das mulheres no poker foi o motivo de criarmos o Queens, foi quando nos demos conta que era difícil ir à um clube jogar se não estivéssemos acompanhadas de marido, irmão ou amigo. Os locais de jogo eram meio marginalizados com presença só de homens, então nos sentíamos desconfortáveis nesses lugares. No online também era assim, 8 entre 9 jogadores eram homens, e se xingavam, altas baixarias nos sit & go’s, e nos torneios, mas agora isso já tem melhorado nas casas de poker, já se importam em ter um bom ambiente, e já promovem torneios femininos com mais frequência. Já não me sinto excluída quando entro em um clube.

 

Imagens: Arquivo pessoal, foto Lizia: Fabio Hamann

Chegamos ao river de 2014

Pouco antes do dealer bater a última carta do bordo de 2014, tivemos o maior BSOP Millions até então, com uma histórica premiação para o poker brasileiro. Tivemos também as palestras organizadas por Gabriel Goffi em seu Congresso Brasileiro de Poker, e as liberadas posteriormente em vídeo do MasterMinds, em sua maioria ótimas, numa iniciativa das boas.

Ao final da rodada de apostas do turn, Foster e seu feito inédito, um de nós no November Nine. Fato comentado por Pedro Marte (Mais um 7 a 1, agora no poker) e Marcos Cerqueira (Bruno Foster já ganhou e Verde, amarelo, azul e branco, e aí?).

Pouco antes do dealer bater o turn, dividíamos nossas atenções para duas Copas do Mundo, a de futebol, e claro, a WSOP, que foi palco da maior polêmica do ano, o jovem Colman disparou contra a indústria, tema largamente discutido por Lízia Trevisan (O saldo da WSOP 2014), Marcos Cerqueira (Os vulcões da demagogia) e Marco Naccarato (Para Daniel Colman, ganhador do torneio milionário One Drop, vencer foi a gota d’água e Considerações sobre a polêmica de Colman no One Drop). E como a cidade vira o centro do poker no mundo nessa época, não é demais dar uma conferida nos Porões de Las Vegas, no blog do Vitão (Las Vegas chamando: Porões de Las Vegas), e aqui no Metapoker (Las Vegas, junho de 2014).

O flop de 2014 foi surpreendente, com Igianne Bertoldi cravando o Main Event da Brazilian Series of Poker, fato comentado por Naccarato em O par de damas que quebrou qualquer estatística. Conquista que veio quebrar alguns paradigmas da presença feminina nos feltros, como comentado por Lízia Trevisan (Credibilidade e competitividade das mulheres no poker e Poker, mulher e preconceito), Mercedes Henriques (Mulher sim. Jogadora de poker sim. Vulgar nunca) e por Naccarato (Por uma perspectiva feminina no poker).

Por fim, bom mesmo é saber que nos sites e fóruns, nas discussões e reflexões, no quintal, na poker room do bairro, no clube famoso ou nos torneios que atraem centenas, o poker continua apesar dos anos. Nova rodada, blinds are up!

 

Fontes citadas: Superpoker, Congresso Brasileiro de Poker, 888 Poker

O saldo da WSOP 2014

Chega ao fim (ou quase) a WSOP 2014. Como espectadora pude perceber a invasão de brasileiros na Sin City, o que é muito bacana pois nos dá uma ideia da proporção que o Poker está tomando no Brasil. Porém há dois fatos, ou melhor, personalidades que se destacaram: Daniel Colman e Bruno Politano, o Foster.

Daniel Colman protagonizou uma polêmica no Big One for One Drop, evento com buy-in de um milhão de dólares, após vencer Daniel Negreanu no HU e sagrar-se campeão. Sua recusa em dar entrevistas somada a declaração justificando a mesma (que pode ser conferida neste link, matéria do Pokerdoc), foram mais emblemáticas que sua vitória.

Fato que me levou à uma reflexão, pois sou uma apaixonada pelo Poker. Isso nunca me impediu de ter uma visão crítica, tampouco de tomar atitudes afim de ao menos tentar contribuir para uma mudança positiva no que acredito ser necessário. Que o Poker é um universo ainda majoritariamente masculino, é sabido. Falando muito honestamente, me incomoda a pouca representatividade feminina e passei a questionar sobre os motivos para tal. Tentar buscar respostas se mostrou mais que improdutivo, assim nasceu o Queens of Poker. Ele ainda é um “bebê”, criado há poucos meses, mas tive gratas surpresas quanto ao Grupo: pessoas que acreditaram no nosso projeto e a união das gurias, sempre super receptivas para conosco e principalmente, torcendo umas pelas outras. Isso muito me comove, se tratando de uma atividade individual e altamente competitiva.

O Grupo demanda trabalho e tempo, que é muito restrito para mim, além dos parcos recursos que disponho. Sempre tive em mente a inserção e crescimento das mulheres no Poker, com o cuidado de não virarmos uma “distribuidora de brindes”. Queríamos algo que agregasse e criasse oportunidades. Com isso em mente, batemos de “porta em porta”, onde encontramos o “sim”, o “não” e as vezes nem a resposta. É bem triste esta última, pois tentamos fazer algo diferente, visando o crescimento do esporte em um público mais que promissor. Uma resposta é mais que gentileza, é consideração, humildade e respeito.

Sou muito grata a minha amiga Mercedes Henriques que mais que contribui, sem ela este não seria possível, ao Betmotion, nas pessoas do Leonardo Baptista e Fabrício Murakami que acreditam em nosso projeto e o tornaram possível. Khatlen Guse e Marco Naccarato são dois presentes que o Poker me trouxe, obrigada amigos! Tio Max, agradeço pelo espaço que nos cedeu e por proporcionar a mim, uma jogadora amadora, disputar eventos que minha bankroll não permite. A vocês amigos e parceiros do Poker que nos ajudam na divulgação do Queens of Poker, muito obrigada.

Dito isto, gostaria muito que Daniel Colman tomasse uma atitude afim de mudar o que acredita estar errado no Poker. Se eu posso fazer algo, ele com mais recursos e sob todos os holofotes do Poker, pode fazer muito mais. Acredito que atitudes falam mais que palavras e não gostaria que uma discussão tão pertinente quanto a levantada por ele findasse com uma imagem, a imagem de um homem sobre uma montanha de dinheiro com a mensagem “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Deixando o “lado sombrio”, Bruno Foster: que belo presente nos deu. Empunhando nossa bandeira com orgulho de ser brasileiro, dividindo conosco esta grande conquista, o primeiro brasileiro na FT do Main Event da WSOP. Deste show de poker e patriotismo, obrigada! Obrigada principalmente por mostrar o “lado bom” do Poker.

Publicado originalmente em Queens of Poker. Foto: Naccarato

Mulher sim. Jogadora de poker sim. Vulgar nunca!

Texto de Mercedes Henriques, do Queens of Poker

Meu nome é Mercedes, sou mulher, jogadora de poker e faço parte do grupo Queens of Poker, que promove a inclusão de mais mulheres nesse esporte da mente. Atualmente o percentual de mulheres jogando nos eventos live é estimado em 5%, e um dos nossos principais objetivos é incentivar a participação feminina para aumentar esse percentual e tornar perceptível o talento das mulheres para o poker. Tentarei me expressar de forma simples e objetiva, sem palavras difíceis, pois este não é o meu perfil.

Fui convidada a fazer este post, porque estava muito indignada com uma propaganda de um clube de poker, anunciando um jogo, que para as mulheres o buy-in seria grátis e blá, blá, blá. Os responsáveis pelo marketing utilizaram a figura de uma mulher seminua, com umas cartas de baralho por cima. Quando vi, primeiro achei que era propaganda de casa de massagem ou boate, demorei para associar a imagem a um convite para mulheres jogarem poker. Acho que tiveram a idéia errada para essa chamada, não somos um produto a venda e nem gostamos que nos associem a este tipo de imagem erotizada, somos mulheres e queremos respeito, não importa em que ambiente estejamos.

Não quero levantar bandeira feminista nem queimar peças íntimas na praça. Mas gostaria que os empresários das diversas áreas desse esporte, como donos de clubes, revistas, blogueiros e profissionais de marketing, se ligassem em fazer melhores chamadas. Utilizem mulheres jogando, pois isso sim chamaria a atenção de outras mulheres a jogar. Estamos em luta para atrair mais jogadoras femininas, temos maravilhosos exemplos de mulheres se destacando cada dia mais, como por exemplo Alê Braga, Milena Magrini, Beatriz Fonseca, Thalita Cascaes e Igianne Bertoldi, atual campeã da Etapa BSOP de Foz do Iguaçu. E isso porque só mencionei algumas jogadoras nacionais, peço desculpas as que não falei o nome aqui, pois ficaria muito longo meu post (hahaha).

Vamos respeitar essas profissionais que estão lutando para conquistar o espaço feminino nesse esporte. Para jogar poker não importa seu sexo, sua cor, sua crença ou idade. É preciso que se saiba jogar e que estude para se aperfeiçoar. Não queremos protecionismo por sermos mulheres, só queremos respeito, respeito nos clubes, nas salas de poker e nas mídias.

Sou mulher, sou jogadora de poker, sou Queen com orgulho.

PS.: Utilizei nesse post, algumas frases de amigas jogadoras, agradeço por isso, pois são pessoas comprometidas com um só ideal.

 

Foto: Blog Chez Meloni, sinal de trânsito na Alemanha