O poker no Brasil pode ser considerado jogo de azar para ter sua atividade regulamentada?

O senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, apresentou projeto de lei que prevê a regulamentação dos jogos de azar em todo o território nacional. O projeto, com a sigla PLS 186/2014, pode ser consultado na íntegra aqui, e propõe legalizar o que funciona na clandestinidade, estabelecer requisitos para quem for explorar o jogo de azar, incluindo regularidade fiscal, além de promover novos empregos e desenvolvimento regional através do turismo.

O texto trata especificamente os seguintes jogos de azar: jogo do bicho, jogos eletrônicos, vídeo-loteria e vídeo-bingo, bingo, jogos de cassinos em resorts, apostas esportivas online, bingo online e cassino online. Contudo, o poker é citado no PLS 186/2014 quando o texto se refere a quantidade de brasileiros que jogam poker online, um volume estimado de 2 milhões de praticantes.

A questão interessante é que sob essa afirmativa, o poker é categorizado como jogo de aposta online, e portanto carece de regulamentação. Evidente que não há regulamentação para o poker online sendo ou não jogo de azar, mas esta parece ser uma oportunidade, embora o esforço de toda a comunidade brasileira de poker nos últimos anos seja a de desvincular o poker dos jogos de azar.

Vale a pena? É este o caminho? O poker vai de fato se beneficiar com isso? Muitos dos grinders online são avessos e defendem a bandeira do “deixa como está”, ou temem por um mercado fechado. Mas o que parece inevitável ultimamente é a necessidade de regulamentação, como vem acontecendo nos mercados da Europa e Estados Unidos. Ou seja, cedo ou tarde, essa necessidade também vai aparecer por aqui.

Se você é a favor ou contra o PLS 186/2014, pode opinar pelo portal e-Cidadania do Senado Federal clicando aqui. Para acompanhar a tramitação do projeto, que ainda precisa passar em diversos comitês, clique aqui.

 

Fonte: Reportagem do MaisEV e site do Senado Federal. Imagem: xtock / Shutterstock

Considerações sobre a polêmica de Daniel Colman no One Drop

Sobre a declaração de Colman

Daniel Colman poderia ter falado com a imprensa após a vitória, e se dissesse o que queria, possivelmente não seria mostrado da forma que desejava. Por isso quando ele opta por responder pelo canal que julga independente e mais próximo dele, o fórum de poker Two Plus Two, ele quer garantir a qualidade e a totalidade do que deseja falar. É principalmente para quem pensa o jogo que ele está falando.

Aparte o conteúdo de seu discurso, que pode ser interpretado de diversas maneiras, e colocado de uma forma maniqueísta que divide as coisas apenas como certas ou erradas, o importante é que sua reação trouxe para a superfície um assunto que o mercado não lida muito, e esse parece ser seu grande mérito nisso tudo. Se sua posição é boa ou não, o relevante é o fato de ter detonado a discussão.

 

Julgamentos e argumentações

É tão inadmissível para os que promovem o jogo aceitarem a argumentação de Colman, que a única estratégia de contra-ataque possível à eles é desmerecer o adversário, julgando-o como imaturo, criança petulante, muito jovem, hipócrita, controverso e impreciso demais. E é assim que o ponto fundamental da discussão, que é o formato pelo qual se promove o jogo, é deixado de lado, e a maioria das reações ficam pautadas pela ótica da grana, da culpa por tê-la e da redenção presente no ato de transformá-la em altruísmo. Se você não aceita levar vantagem num jogo cruel, então devolva todo o dinheiro, ou reverta para quem precisa, é o que dizem dos fóruns de poker e comentários nos blogs.

Seguindo essa linha de argumentação, porque então os demais jogadores não fazem o mesmo e revertem seus ganhos para a grande maioria que perde no jogo? Afinal ninguém discorda que a maior parte dos jogadores não é vencedora. É por isso que essa defesa parece fraca, e deixa a discussão estagnada, numa busca por quem está certo ou errado, tentando passar a culpa de um para o outro. Não se sabe se Colman ou Negreanu ajudam a alguém ou a alguma instituição, mas isso não altera essa perspectiva do jogo, afinal os mais preparados vão continuar ganhando, e a propaganda vai continuar sendo feita para atrair mais e mais praticantes.

 

O lado sombrio

Não é porque diversas outras atividades têm em comum com o poker o tal lado “sombrio” que temos que deixar de discutir o jogo e o mercado, e ao que parece, não é esse o ponto quando Colman critica a cultura do ego e do sucesso, e principalmente a propaganda do jogo. Em nenhum momento ele falou alguma mentira, tanto é que não se pode negar o que ele disse, só resta procurar entender sua atitude e discutir o assunto. Mas o caminho comum é o julgamento. Os organizadores sempre vão promover o jogo transformando-o em espetáculo, mas as mídias podem fazer mais mostrando as realidades que permeiam o poker.

 

A resposta de Negreanu

Negreanu claramente concorda em partes com Colman, mas seu pedido direto para o campeão do One Drop passa a mensagem velada de que há uma verdade maior a ser seguida, de forma a abrandar a discussão e terminar logo com a polêmica, afinal ele é apenas um garoto de 24 anos, e possivelmente não sabe o que está fazendo. Só que grande parte das pessoas que não são mais tão jovens quanto Colman parecem ter percebido com sua “experiência” que é mais importante dar manutenção à um sistema que fazem parte do que discutir ou considerar seu discurso. Colocar em pauta esse e outros diversos assuntos é informar e gerar não apenas jogadores mais pensantes sobre sua atividade, mas também um mercado mais preparado.

O que está se perdendo de vista é que independente do formato da comunicação ou dos aspectos presentes no poker, sempre haverá um mercado e alguém o explorando, mas talvez apenas Colman tenha uma inclinação, perceptível em suas palavras, de que o mais importante é a forma com a qual lidamos, interpretamos e nos posicionamos no poker. Isso é ser crítico, e não hipócrita.

 

Links importantes para a discussão

Reportagem do Pokernews (em inglês)
Reportagem de Case Keefer no Las Vegas Sun (em inglês)
Declaração de Colman no Two Plus Two (em inglês)
Reportagem do Pokerdoc com a tradução da declaração de Colman
Opinião de Thiago Pessoa no Quero Ser Shark
Artigo de Naccarato no Metapoker sobre a atitude do campeão
Tópico no fórum MaisEV
Metagame especial WSOP com Sergio Prado e Vitão Marques
Resposta de Daniel Negreanu (em inglês)
Reportagem do Pokerdoc com a tradução da declaração de Negreanu
Opinião de André Akkari
Opinião de João Simão
Opinião de Vitão Marques
Vitão entrevistando jogadores sobre a polêmica

PosRiver Podcast leva o poker ao pé do ouvido

PosRiver é o nome da mais nova e interessante iniciativa do poker nesse ano. Eduardo Dutra, Moll Orso, Lucas Adami e Vinicius Bellebone lançaram no final de fevereiro um podcast de poker que mistura informação, assuntos pertinentes e humor, e tem apoio do Ypiranga Texas Club, de Porto Alegre.

Ainda sem nome, o programa piloto foi transmitido ao vivo em 24 de fevereiro e foi muito bem recebido pela comunidade do poker, onde foram abordados os temas Times de Poker e Postura dos jogadores nos jogos ao vivo. A primeira edição oficial, já batizada de PosRiver Podcast, estreou em 5 de março e teve a presença do convidado Carlos “Caju” Zago, profissional especialista em mesas limit, e o tema escolhido foi MTT vs. Cash Game. Segundo Eduardo Dutra, integrante e idealizador do podcast, as próximas edições serão gravadas e editadas, e não mais transmitidas em tempo real.

A intenção do grupo, que é composto por jogadores online e diretores de torneio, é abordar os diversos temas do quotidiano dos jogadores, e discutir abertamente questões pouco faladas na mídia tradicional de poker. O PosRiver tem um tópico oficial no fórum MaisEV, que você pode acessar aqui para mandar sugestões e críticas. Abaixo você pode conferir o programa piloto e a primeira edição.

PosRiver Podcast #1 (Piloto)

PosRiver Podcast #2 (Cash Game vs. MTT)

Fonte: MaisEV, canal do YouTube do Ypiranga TV e Eduardo Dutra.