Roxo é a cor mais quente do poker

Há no nordeste do Brasil uma expressão peculiar para designar alguém destemido, valente, corajoso. “Ter aquilo roxo“ é uma forma de enfatizar a bravura de alguém. De certa forma, o roxo sempre está ligado a alguma intensidade. Quando um torcedor é fanático pelo time, dizemos que é um torcedor roxo, e o rail que apoiou Renata, devidamente paramentado de perucas da mesma cor, passou o recado, e vimos tantos outros invadindo as mídias sociais com a cabeleira pintada em sinal de apoio.

A conquista de Renata Teixeira no LAPT chileno de Viña del Mar, em absoluto, é apenas uma conquista feminina. Impossível esquecer que era uma mulher disputando, mas talvez como poucas vezes, isso não importou. Não era uma batalha entre nações ou de gênero, era a afirmação de uma jornada de estudos de quem ralou muito, como se pode conferir no artigo certeiro de Leonardo Bueno em seu blog.

O LAPT do Chile teve boas histórias, como o suporte do marido de Renata, Felipe de Paulo, que voou o mais rápido que pôde para acompanhar a FT. E o que dizer do dilema dos Quezada, um filho que eliminou o pai deixando lágrimas. Casos como esses nos permitem uma metáfora: Num torneio latino americano, onde amigos, família, emoção e apoio não têm limites muitos marcados, e se misturam pela vontade, a intensidade, ou seja, o roxo, é a cor mais quente. O lado emotivo não atrapalha o racional, só ajuda.

Renata tem aquilo roxo, o cabelo, mas ela mostrou que é roxa em coragem de se aplicar, em ter um propósito. Seu segundo lugar é uma vitória, a vitória da dedicação.

 

 

Imagem: Shutterstock (editada)