Mais um 7 a 1, agora no poker

Nesse último dia 10 de Novembro acompanhamos um capítulo importante da história do poker brasileiro, e tivemos muitas coisas interessantes nessa mesa final.

Vimos Mark Newhouse se transformar em um dos personagens mais singulares do poker mundial. Conquistou o mérito enorme de chegar duas vezes seguidas na mesa final mais cobiçada do mundo e caiu em nono lugar novamente. Na minha opinião, toda essa situação agregou carisma para o Newhouse.

Onde antes víamos uma personalidade aparentemente arrogante, hoje o vemos como um personagem engraçado, um cara desleixado, sem postura, com olheiras, realizando apostas displiscentes, jogando a mesa final da World Series of Poker como se fosse o torneio da pizza, e sempre se dando mal.

Também tivemos jogadas de destaque como a mão de Van Hoof contra Larrabe, onde o holandês transforma sua mão em blefe no river e faz o oponente foldar uma sequência, jogada típica do cenário de cash games high stakes de Omaha, onde sempre cabe blefe se não há nuts no range do oponente.

Mas queria dedicar esse texto ao nosso representante Bruno Foster.

Desde que conheço o Foster ele sempre foi um bom jogador com bons resultados e pudemos ver nas transmissões referentes ao torneio de Julho lampejos de craque nele, de top player mundial, como no 6-bet de Q8o pra cima do norueguês Stephensen, porém não vimos o mesmo brilho na mesa final, onde ressaltou uma diferença de preparo entre Foster e os adversários estrangeiros.

Essa situação me lembra a nossa Seleção de Futebol na Copa de 2014, tínhamos todo talento ao nosso lado mas ficou clara a diferença de preparação entre nós e a Seleção da Alemanha, culminando no inesquecível 7 a 1. Fomos pegos de surpresa e depois ficamos discutindo o que deveríamos ter feito, e chegamos a conclusão que eles não são, porém estão melhores que nós graças a um planejamento sólido.

Na minha opinião, nós do poker tomamos o nosso 7 a 1.

Não tenho dúvidas de que a preparação com Ariel Bahia, pessoa com talento inato para o jogo e um dos melhores jogadores de poker do Brasil, agregou muita coisa para o jogo do Foster e foi um ganho fundamental para a preparação dele, e tenho certeza de que ambos discutiram todas as possíveis estratégias para adotar em cada situação porém, como diria Garrincha, “só faltou combinar com os adversários”.

Foster mergulhou na mesma bolha que nossa Seleção de Futebol quando negou ter coachs estrangeiros, ao contrário dos seus oponentes que estavam se preparando com pessoas do mundo inteiro.

O sueco Martin Jacobsson não fez oficialmente um “coach” mas teve auxílio de mais de 20 jogadores do mundo todo, alemães, suecos, americanos, canadenses, top players de diversos países, e essa preparação técnica maior ficou evidente na mesa final, Jacobson estava em uma situação semelhante ao Foster, mesmo stack e obteve os mesmos spots, chegou inclusive a ficar na última colocação e agora está lá, campeão do mundo, com o bracelete em mãos e todas as glórias merecidas.

A situação de negar auxílios técnicos que vêm de fora é semelhante, guardadas as devidas proporções, a que impede, por exemplo, que o técnico da Seleção seja o Guardiola, nós brasileiros temos uma espécie de arrogância em relação a ajudas estrangeiras e isso, é claro, não é bom.

O poker vem lá de fora, eles jogam há muito mais tempo que nós, nós temos vantagens, temos talento para o jogo e coisas que eles nunca terão como torcida forte, comunidade unida etc, porém isso não nos torna os melhores do mundo. Os melhores livros de poker não estão em português, os melhores vídeos, artigos, tópicos de fórum também não.

O fato é que existe um mundo inteiro jogando poker além dos oceanos, milhares de pessoas que jogam poker todos os dias e não gritam “Vamoo” e aparentemente o Foster não se ligou muito nisso, teve a chance de ter coachs com quem quisesse e optou por se recolher ao universo brasileiro.

Na mão derradeira, all-in pré flop QT x 77, todos nós brasileiros, presentes na arquibancada, em casa ou asssitindo em clubes de poker gritamos alto no ouvido do baralho: “Dama! Dama!! Dama!!! Dez! Dez!! Dez!!!”.

Mas, lá em Las Vegas, os baralhos falam inglês.

 

Foto: Naccarato

O pôquer venceu

Imediatamente após a vitória incontestável do talentoso sueco Martin Jacobson recebi uma ligação inusitada. Foi assim:

– Fala Cerqueira! Tudo bem? O que achou do resultado da WSOP?
Antes mesmo da minha resposta, a voz empolgada do outro lado da linha continuou:
– Fiquei muito satisfeito, aliviado e feliz. Venceu o melhor, o mais concentrado, o mais técnico, o mais inteligente, o mais preparado mentalmente…
E ainda continuou:
– Essa mesa final foi mais uma prova irrefutável que eu não sou sorte.
Foi aí então que eu interrompi:
– Espera aí amigo, como assim você não é sorte?! Quem está do outro lado da linha?
– Eu, Cerqueira!
– Eu quem?
Questionei, obtendo a seguinte resposta:
– Sou eu, o seu amigo!
– Que amigo, porra?!
– Calma! Eu sou o pôquer bem jogado. 

Nessa hora eu já estava na segunda garrafa de vinho e pensei: não é que o cara me ligou mesmo? Escrever alcoolizado dá nisso.

Apesar de uma certa frustração pela eliminação precoce do nosso representante brasileiro, a mesa final deste ano foi bem agradável de assistir. O primeiro dia de competição ficou marcado pelo domínio técnico do holandês Jorryt van Hoof e pela quase inexplicável jogada do espanhol Andoni Larrabe, que ignorou a sua trinca no river e deu um medonho chek behind. Uau! Quase derrubei a minha taça de vinho. Merece destaque também o shove imbecil com TT do back-to-back Mark Newhouse. Fora isso, um fold discutível de AJ do nosso Fostera e nada mais.

Depois de seis competidores eliminados no dia anterior, o seguinte e decisivo dia da competição começou com três heróicos sobreviventes: um confiante e muito habilidoso holandês, um pouco expressivo norueguês e um memorável jogador sueco. Não demorou muito para a confiança holandesa sucumbir a frieza e a determinação do excelente jogador da Suécia. E, para surpresa de muitos que esperavam ver o holandês no HU, o duelo final foi protagonizado pelo “iceman” Martin Jacobson e teve o norueguês Stephensen apenas como coadjuvante. A superioridade de Jacobson, que já era visível, ficou incontestável: o HU foi um verdadeiro massacre mental imposto pelo sueco. O Main Event da WSOP, dessa vez, não decepcionou. E, como disse meu amigo, coroou o melhor e o mais bem preparado jogador da mesa final. O sueco Martin Jacobson, com méritos, colocou o bracelete de diamantes no pulso e alguns milhões de dólares na conta.

A WSOP de 2014 ficará na memória de todos nós brasileiros pela imensurável façanha do cearense Bruno Foster em conseguir um lugar na mesa final de pôquer mais cobiçada do mundo. Sinceramente, para mim, depois disso, pouco importou o desempenho do Fostera na mesa final. Como já tinha dito, ele tornou-se um campeão já em julho de 2014. E nada e nem ninguém poderá apagar o seu memorável feito.

 

Imagem: Shutterstock (editada)

O que há entre o bracelete e Bruno Foster

Bracelete do ME, confeccionado pela Jason of Beverly Hills
Bracelete do Main Event 2014, que foi confeccionado pela Jason of Beverly Hills

Fostera teve em suas mãos o troféu da disputa, antes de todos, antes da final, conforme reportagem do Super Poker, todos os jogadores tiveram oportunidade de ver de perto o bracelete, mas ele foi o primeiro. Os últimos serão os primeiros? Não sabemos. Ele é o short stack, nono em fichas entre nove finalistas, no mês de novembro, que já foi o nono mês do ano pelo antigo calendário romano. E o que tudo isso quer dizer? Nada, em absoluto.

Se para o resto do mundo do poker ele é o azarão, aqui ele é favorito. Disseram que se ele vencer, será um ótimo “embaixador“ do poker, aqui ele já se tornou automaticamente.

Tem algo que a quantidade de fichas, as estatísticas e os prognósticos não dizem, e nunca vão dizer, é a tal força vital, não a fé e nem a esperança, mas a energia que ele carrega consigo, somada a energia que toda a turma de brasileiros que vão acompanhá-lo na final estão levando.

Quando Foster diz “Sinto que será meu“, após ter o bracelete em mãos, sua fala é emblemática, pois esse é seu trunfo, afinal, sentir é o que fundamenta a sua confiança no November Nine.

#VamoFostera, faça seu melhor, não aquilo que os outros esperam, mas o que você sente.

 

Fonte: Site Super Poker. Imagem: Jason of Beverly Hills – Bracelete do ME da WSOP 2014 

Bruno Foster já ganhou

Falta pouco, muito pouco para recomeçar o maior espetáculo de pôquer do planeta. No próximo dia dez, o iluminado Bruno Foster sentar-se-á a mesa mais cobiçada e desejada do mundo do pôquer: a mesa final do MAIN EVENT da WSOP.  Por ter o menor número de fichas dentre os nove finalistas, o brasileiro é considerado pelos gringos um grande azarão. Se levarmos em consideração somente a quantidade de fichas, pode até ter uma certa lógica. Agora, se analisarmos pelo lado do carisma, da energia da torcida e do sangue nos olhos do Fostera, acho que o prognóstico mundial pode cair da cadeira… E tomara que caia.

O meu otimismo aumentou ainda mais depois que vi as performances dos outros finalistas. Sinceramente, não vi nenhum bicho de sete trincas: nenhum Negreanu ou  Phil Ivey da vida. A meu ver, o Fostera não deve cartas para nenhum dos finalistas. Para elucidar a minha constatação, cito como exemplo o back-to-back Mark Newhouse, que ao longo do torneio fez jogadas surpreendentemente amadoras e muito ruins. Particularmente, esperava muito mais dele. Bom, deixarei essas análises para os mais capacitados.

O que eu quero dizer é que se o baralho ajudar em alguns momentos e não atrapalhar em outros, o sonho do título tupiniquim pode virar realidade. Até porque o mais difícil já foi feito, ou alguém acha que conquistar um lugar na mesa final do maior torneio do mundo é fácil? Seja qual for o resultado do Fostera, ele já é um vitorioso. Pelos motivos expostos acima, eu acredito e muito na vitória do “azarão” brasileiro. Vamos então, na próxima semana, emanar a mais pura energia para o já campeão Bruno Foster. De minha parte, para diminuir um pouco a ansiedade, além de comer o resto das minhas unhas, assistirei as jogadas do Fostera saboreando um bom vinho. Acho que beberei um autêntico italiano primitivo de manduria. Veja bem, posso até não entender de pôquer, agora, de vinho….. Eu entendo menos ainda.

Salute!

 

Imagem: Página de Bruno Foster no Facebook

Verde, amarelo, azul e branco. E aí?

Bruno Foster (Imagem da página pessoal no facebook)
Bruno Foster (Imagem da pg. pessoal no facebook)

Cearense simpático, fala mansa, politicamente correto em suas declarações e bom jogador de pôquer. Esse é o perfil do primeiro brasileiro que participará da mesa final do maior e mais cobiçado torneio de pôquer do mundo.

Trata-se de uma façanha memorável. Aliado a isso, coexiste a real possibilidade do representante brasileiro vencer o torneio. Fato este que, não só acredito, como torço para que se concretize. Agora, independentemente do desfecho da mesa final que ocorrerá em novembro na cidade de Las Vegas, o garoto bochechudo já entrou para história do pôquer mundial. Parabéns!

Para não fugir da minha característica, vou tocar em um assunto, digamos, um pouco polêmico. Vamos lá! Certamente, se você acompanha as notícias do mundo do pôquer, já sabia de tudo que leu até agora. Mas, se você não faz parte do cotidiano do pôquer, deve estar se perguntando porque ainda não tinha conhecimento dessa enorme façanha alcançada por esse tal de Fostera.

Sabe por quê? Porque a imprensa brasileira caga para o pôquer. Mais do que isso, a imprensa brasileira boicota e menospreza todos aqueles que usam rotineiramente ou eventualmente as mãos para segurar fichas, cartas ou mouses. Saibam os senhores menos informados, que a sociedade brasileira nutre grande preconceito com relação aos praticantes do “joguinho”. Será então que o heroico Bruno Foster deve enrolar em seu corpo a bandeira de um país que não reconhece o seu valor?

Independentemente da decisão a ser tomada, coloque sobre as suas costas uma bandeira invisível com as cores da sua família, dos seus amigos, dos brasileiros que torcem por você incondicionalmente, que reconhecem e exaltam a sua legítima conquista. Não sei se valeria a pena cobrir suas costas com as cores do descaso. Se assim fizesse, estaria representando um país que não reconhece o seu valor.

Represente quem tem orgulho de ser representado por você. Vamooooo!

O saldo da WSOP 2014

Chega ao fim (ou quase) a WSOP 2014. Como espectadora pude perceber a invasão de brasileiros na Sin City, o que é muito bacana pois nos dá uma ideia da proporção que o Poker está tomando no Brasil. Porém há dois fatos, ou melhor, personalidades que se destacaram: Daniel Colman e Bruno Politano, o Foster.

Daniel Colman protagonizou uma polêmica no Big One for One Drop, evento com buy-in de um milhão de dólares, após vencer Daniel Negreanu no HU e sagrar-se campeão. Sua recusa em dar entrevistas somada a declaração justificando a mesma (que pode ser conferida neste link, matéria do Pokerdoc), foram mais emblemáticas que sua vitória.

Fato que me levou à uma reflexão, pois sou uma apaixonada pelo Poker. Isso nunca me impediu de ter uma visão crítica, tampouco de tomar atitudes afim de ao menos tentar contribuir para uma mudança positiva no que acredito ser necessário. Que o Poker é um universo ainda majoritariamente masculino, é sabido. Falando muito honestamente, me incomoda a pouca representatividade feminina e passei a questionar sobre os motivos para tal. Tentar buscar respostas se mostrou mais que improdutivo, assim nasceu o Queens of Poker. Ele ainda é um “bebê”, criado há poucos meses, mas tive gratas surpresas quanto ao Grupo: pessoas que acreditaram no nosso projeto e a união das gurias, sempre super receptivas para conosco e principalmente, torcendo umas pelas outras. Isso muito me comove, se tratando de uma atividade individual e altamente competitiva.

O Grupo demanda trabalho e tempo, que é muito restrito para mim, além dos parcos recursos que disponho. Sempre tive em mente a inserção e crescimento das mulheres no Poker, com o cuidado de não virarmos uma “distribuidora de brindes”. Queríamos algo que agregasse e criasse oportunidades. Com isso em mente, batemos de “porta em porta”, onde encontramos o “sim”, o “não” e as vezes nem a resposta. É bem triste esta última, pois tentamos fazer algo diferente, visando o crescimento do esporte em um público mais que promissor. Uma resposta é mais que gentileza, é consideração, humildade e respeito.

Sou muito grata a minha amiga Mercedes Henriques que mais que contribui, sem ela este não seria possível, ao Betmotion, nas pessoas do Leonardo Baptista e Fabrício Murakami que acreditam em nosso projeto e o tornaram possível. Khatlen Guse e Marco Naccarato são dois presentes que o Poker me trouxe, obrigada amigos! Tio Max, agradeço pelo espaço que nos cedeu e por proporcionar a mim, uma jogadora amadora, disputar eventos que minha bankroll não permite. A vocês amigos e parceiros do Poker que nos ajudam na divulgação do Queens of Poker, muito obrigada.

Dito isto, gostaria muito que Daniel Colman tomasse uma atitude afim de mudar o que acredita estar errado no Poker. Se eu posso fazer algo, ele com mais recursos e sob todos os holofotes do Poker, pode fazer muito mais. Acredito que atitudes falam mais que palavras e não gostaria que uma discussão tão pertinente quanto a levantada por ele findasse com uma imagem, a imagem de um homem sobre uma montanha de dinheiro com a mensagem “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Deixando o “lado sombrio”, Bruno Foster: que belo presente nos deu. Empunhando nossa bandeira com orgulho de ser brasileiro, dividindo conosco esta grande conquista, o primeiro brasileiro na FT do Main Event da WSOP. Deste show de poker e patriotismo, obrigada! Obrigada principalmente por mostrar o “lado bom” do Poker.

Publicado originalmente em Queens of Poker. Foto: Naccarato

Bruno Foster acredita, e dá 6-bet

Há um ano, um dos bravos dessa parte de cá do mundo, que insistiu em levar suas fichas bem longe na competição, deu um gosto diferente ao Main Event da WSOP. Era o Bruno Kawauti, num incrível 15.o lugar, e agora é seu xará que nos deixa grudados nos sites de cobertura atualizando a página a toda hora.

Bruno Foster está jogando o fino, concentrado e com consciência do que tem que ser feito. Numa das mãos emblemáticas neste dia 7 da disputa, Foster deu 6-bet e viu o adversário norueguês dar insta-fold, mas sua performance foi registrada pobremente pela cobertura da WSOP… mas o Vitão Marques não perde uma, dá uma olhada. Cabe a pergunta, quantas vezes se vê um 6-bet quando restam somente 17 jogadores no field do mais tradicional torneio de poker do mundo?

É porque eles não sabem que aqui deste lado, os bravos, antes de conseguir dar 6-bet, passaram os últimos anos convencendo família e amigos, escapando de alguns estereótipos e caçando jogo quando ainda não tinham que organizá-lo. Aqui o poker está crescendo e sendo aceito devagar, ganhando espaço cada vez mais, pra ganhar logo mais o espaço de vocês aí.

Foster, que em tradução direta do inglês significa “adotivo”, sabe que todo um bando de fissurados desse lado de cá, já o adotaram. Desse jeito, só resta saber quem vai ser o Bruno do ano que vem. Novembro é logo mais.

Fontes: Cobertura WSOP e Vitão Marques no Superpoker