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Rankings são feitos de jogadores, não de pontos

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A adoção do sistema de pontuação do GPI (Global Poker Index) para o ranking da temporada 2015 da Brazilian Series of Poker se tornou um imbróglio assim que foi feita a divulgação dos resultados da primeira etapa. João Bauer, campeão do main event, figurava apenas na nona posição do ranking, enquanto que o campeão do high roller Ariel Bahia, era o líder da competição. João Bauer manifestou sua indignação, e encontrou apoio de diversos jogadores. Na tentativa de encontrar uma solução para o impasse, a direção da série brasileira voltou atrás, modificando o ranqueamento para o sistema de pontuação usado nas edições anteriores. Agora, foi a vez de Ariel Bahia colocar a decisão em xeque, também apoiado por vários jogadores.

A BSOP é sem dúvida a principal e melhor organizada série de torneios do país, uma empreitada de anos nadando contra a maré (e porque não dizer, continua nadando, há tempos não temos uma etapa do Rio), mas nesse caso faltou planejamento. Qualquer simulação na página principal do site do GPI mostraria que o ranking deles dá mais peso ao valor do buy-in do que ao tamanho do field. Atribuir o impasse ao GPI é um caminho fácil, (mesmo porque, até o incidente, o GPI era tido com muito prestígio). Admitir o erro, fundamental. Voltar atrás, improvável para uma competição, mas foi o escolhido, afinal, o evento principal não pode ficar desprestigiado em detrimento dos eventos paralelos, mesmo os mais caros, pois a vitrine da série é o main event, é ele que distribui a maior premiação, é ele a atração da série. Ariel e os demais que pontuaram bem na etapa de São Paulo, pagaram o pato.

Aliar BSOP e GPI evidencia o que acontece em qualquer mercado, empresas se associam para abarcar o quanto puderem de espaço, e obviamente crescerem mais. Alinhar interesses e se associar é condição fundamental, o que deixa a questão mais de mercado do que em pró dos jogadores.

Mas há um aspecto anterior com o problema do ranking, que não está no sistema de pontuação, no cálculo, no favorecimento de determinado jogador, no valor do buy in ou mesmo na cotação do dólar. Falta uma representatividade dos jogadores ou de algum grupo ou associação formada por eles. Um ranking esportivo deveria alinhar interesses dos jogadores, com participação dos praticantes, organizadores, mercado e mídia especializada. Num quadro como esse, talvez não tivéssemos o melhor ranking possível, mas certamente um ranking consentido, e por isso mais próximo de todos.

 

Imagem: Shutterstock

Comentários

About the author / 

Marco Naccarato

Marco Naccarato é designer, escritor, jogador de poker e autor dos livros Floating in Vegas e Floating in Miami, que relatam com humor a dinâmica do small stakes dessas cidades. Tem textos publicados nos sites Aprendendo Poker, Pokerdicas, PokerGirls e Queens of Poker, e é idealizador do site Metapoker, além de organizar o torneio semanal ADT Poker, no bairro da Mooca, em São Paulo

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1 Comment

  1. Moacyr Farah
    Moacyr Arnaldo farah 23/04/2015 at 15:51 -  Responder

    Uma entidade representativa de jogadores seria necessária, não só para essa questão, mas também para várias outras. O jogador não participa na eleição de dirigentes. A CBTH representa os donos dos clubes, que elegem os dirigentes regionais. Os jogadores não são ouvidos em nenhuma decisão dos dirigentes, quer sobre torneios, cobrava de taxas, legalização do POKER, etc…

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