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Pôquer sem comparações

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O pôquer brasileiro evoluiu em vários aspectos ao longo dos anos. O árduo e competente trabalho da CBTH gerou muitos e ricos frutos, e com exceção do Rio de Janeiro, os estados brasileiros reconheceram a legitimidade do evento e se renderam ao sucesso do BSOP.

Fazendo jus ao tema, gostaria de provocar a reflexão dos amigos leitores sobre a insistência da mídia brasileira em comparar o pôquer com alguns esportes. Será que essa estratégia ainda é necessária? Até que ponto vale a pena ficar insistindo em dizer que o jogo de cartas chamado pôquer é um esporte? Será que a incontestável comprovação de que o pôquer não é um jogo de azar não basta?

Dias atrás, li um artigo sobre acordos financeiros em torneios de pôquer, onde o autor mostrava-se contrário a esse costume, alegando que o acordo influenciava na maneira de jogar dos participantes. Até aí, tudo bem. Só que em seguida, com intuito de reforçar a sua tese, o autor comparou o pôquer ao tênis. Argumentou que o jogador A, estando em uma partida final com o jogador B, não poderia propor a divisão do prêmio. Logo pensei: é lógico que não pode. Tal comparação pareceu-me apelativa e incoerente.

O fato de não ser possível fazer acordos financeiros no tênis não serve de comparação e, muito menos, de argumento para discordar dos acordos que são feitos em torneios de pôquer. São características e costumes completamente diferentes.

Entendo que o patamar alcançado pelo pôquer no Brasil credencia-o a seguir seus próprios caminhos, com a sua própria identidade. Sugiro, por fim, um novo slogan: Oi, muito prazer, eu sou o pôquer. Sou legítimo, reconhecido mundialmente e não faço questão de me parecer com ninguém.

 

Imagem: Shutterstock (editada)

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Marcos Cerqueira
Marcos Cerqueira

Marcos Cerqueira é carioca, gosta de um bom papo, é apreciador de vinhos e colabora esporadicamente publicando textos no Metapoker.

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