Poker, mulher e preconceito

Uma das mais fantásticas características do Poker é a inclusão. Qualquer pessoa, de variadas idades, de ambos os sexos, independente do grau de instrução, com ou sem deficiência física, pode praticar o esporte. Dá para mensurar o quão democrático isto é?! Apesar do grande apelo desta, vemos uma maioria esmagadora de homens, nos eventos live e online.

Acredito que o número de mulheres aumenta a cada dia, mas ainda assim a disparidade é absurda. Vamos aos números:

  • De acordo com o site IG: “O sexo feminino representa 5% dos jogadores.”
  • No ranking geral do Main Event do BSOP 2013, a mulher melhor colocada foi Simone Zanetti na 57ª colocação. A próxima jogadora melhor colocada no ranking foi Patricia Kim Yamashita, na 91ª colocação.
  • Ainda no ano de 2013, não tivemos nenhuma mulher em FTs do Main Event.
  • Até hoje, tivemos uma mulher campeã de um Main Event do BSOP. Gabriela Belizário venceu a etapa de Belo Horizonte em 2008.

Notório que a pouca representatividade das mulheres decorre do pequeno número de jogadoras. Fica a pergunta: Por que há tão poucas mulheres praticantes de poker? Se observarmos o universo dos jogos, veremos que a maioria é de homens. Por exemplo, na relação de pessoas que conhecem que gostam de vídeo game, a maioria não é de homens? Nos churrascos, as esposas/namoradas não torcem o nariz quando o truco começa?

Talvez esta competitividade que envolve os jogos seja inerente à personalidade masculina. Qual a opinião de vocês?

Em contrapartida, as mulheres que gostam de jogos e querem jogar poker tem dificuldade em encontrar pessoas para conversar/aprender. O preconceito com as jogadoras também é grande. Vejam o depoimento de jogadoras:

“Nunca passei por situações constrangedoras ou explícitas de machismo. Mas já tomei ‘falinhas’ desnecessárias e com segundas intenções. Algo insinuando eu ser fraca de poker apenas por ser mulher… falinha _ uhmm hoje está fácil… só mulheres na canhota ‘vo’ forrar…” Jessica Camargo

“O mais absurdo que ouvi foi um: “lugar de mulher é na cozinha, não é em mesa de poker não”. Aqui, eu sofro muito machismo no live sim. E sou muito caçada nas mesas… Mas isso acaba sendo mais motivador ainda. “ Luany de Macêdo

“Infelizmente ainda existe um pouco de machismo no poker – as mulheres, no live, ou são “caçadas” ou são “respeitadas” além do normal. Mas confesso que não acho ruim esse machismo no poker (no live uso a imagem de mulher para ser lucrativa).” Adriana Maia

Posso parecer controversa, mas sou contra torneios exclusivos para mulheres ou mesmo grupos como o nosso, onde homens não são aceitos. Acredito que essa separação de gênero vai contra o espírito do poker, como esporte democrático. Mas analisando como mulher, é deveras intimidador chegar num salão, onde no máximo 5% das pessoas são mulheres, sentar, jogar, calcular as fichas no pote, ouvir falinhas por ser mulher, ser subestimada (ok, esta parte acho vantajoso rsrs) encarar os outros jogadores (HOMENS) e ser encarada pelos mesmos.

Se é difícil para quem joga, é ainda mais para as jogadoras iniciantes.

No atual quadro é mais do que válido, são necessários torneios, teams, grupos, promoções e o que mais for ajudar a aumentar em quantidade e qualidade o field feminino. O grupo Queens of Poker visa ser um local democrático para que todas as jogadoras, em diferentes níveis de aprendizado, tenham um espaço só delas, mas sonho com o dia em que estes não terão mais razão de haver e que queens e kings dividirão o mesmo espaço, com igualdade e respeito.

Publicado originalmente em Queens of Poker.

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Lízia Trevisan

Lízia Trevisan

Lízia Trevisan é corretora de seguros, jogadora amadora de poker e fundadora do grupo Queens of Poker, que tem a missão de atrair mais mulheres para a prática do poker.

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