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Para Daniel Colman, ganhador do torneio milionário One Drop, vencer foi a gota d’água

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Daniel, não o tão esperado Negreanu, mas seu adversário, cravou o torneio de poker de buy-in mais estratosférico da WSOP deste ano. Afora todo o torneio, as jogadas, mãos decisivas e  eliminações, o assunto mais contundente após a cravada foi o comportamento do campeão em relação à imprensa, se negando a ceder entrevista e alheio às fotos e poses esperadas. Para se interar do ocorrido, recomendo a reportagem do Pokerdoc, que conta com a resposta do campeão sobre a polêmica, e que você pode ler clicando aqui.

Na ótica de quem promove o jogo, Colman não pode se abster de participar da promoção estimulada pela imprensa, não pode parecer contraditório ou conflitante, pois julga-se que tal atitude é falta de posicionamento, ou pelo menos uma forma imatura de posicionamento. Contudo, a imaturidade veio do lado de quem critica.

Por sorte, Colman permanece em dúvida, pois através dela é possível ponderar sobre o mundo ao redor e dar mais um passo em direção ao entendimento, considerando as inúmeras realidades e visões intrínsecas ao jogo. Colman não precisa dar manutenção ao espetáculo que não criou, e escolheu veementemente não se utilizar desse canal para tanto. É desta forma que seu não discurso se torna discurso.

Importante perceber nesse mesmo discurso, que a racionalidade que Colman encontrou no poker, a mesma que o atrai e faz com que ele permaneça no jogo, se tornou parâmetro para a própria crítica ao mercado, visto que a propaganda da indústria do poker está majoritariamente voltada para o apelo emocional na busca por novos praticantes.

Talvez ele não careça dos tão almejados louros da vitória, ou de todo o status e exposição envolvidos numa conquista cobiçada e representativa como esta. Talvez ele não precise se jogar em frente aos holofotes deflagrando sintomas de alguém que está perdido e carente de qualquer tipo de atenção, ou não queira capitalizar qualquer outro valor além da vitória em si.

Colman com sua opinião, em tempos onde não se deve emitir opinião, torna-se o não heroi do poker (e não o inimigo), pelo simples fato de que não há nada a ser salvo senão nossas próprias relações em sociedade e a necessidade de reflexão há tanto deixada de lado. E falando nisso, se ele não deve nada ao poker, como disse em seu post no Two Plus Two, o poker deve à ele uma pausa para reflexão.

 

Créditos: Pokerdoc, e post original em inglês de Colman no fórum Two Plus Two. Foto: Shutterstock

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About the author / 

Marco Naccarato

Marco Naccarato é designer, escritor, jogador de poker e autor dos livros Floating in Vegas e Floating in Miami, que relatam com humor a dinâmica do small stakes dessas cidades. Tem textos publicados nos sites Aprendendo Poker, Pokerdicas, PokerGirls e Queens of Poker, e é idealizador do site Metapoker, além de organizar o torneio semanal ADT Poker, no bairro da Mooca, em São Paulo

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