Os vulcões da demagogia

Prometi para mim mesmo que não escreveria mais sobre pôquer. Entretanto, quando me deparo com um texto inteligente como este, que aborda de forma imparcial um tema polêmico, que mexe diretamente com os interesses dos exploradores do jogo, sinto-me excitado em quebrar a minha promessa. Da mesma forma que é difícil discursar imediatamente depois de um bom orador, também não é tarefa fácil enriquecer com comentários um texto tão bem escrito. Tentemos!

Quando o corajoso Daniel Colman declarou que o pôquer é um jogo sombrio, BOOM! Os vulcões da demagogia entraram imediatamente em forte erupção, atirando suas lavas na direção do atrevido campeão. Quem é esse moleque que ousa contrariar o poderoso sistema de exploração do jogo? Chamaram o jovem campeão de demagogo, prepotente, imaturo e algumas coisas mais. Entretanto, ninguém escreveu ou disse algo que provasse que o menino abusado estava errado.

Entendo que as declarações do Daniel Colman retratam a realidade, são rigorosamente verdadeiras e fundamentais para abrir os olhos daqueles que estão ingressando no mundo do pôquer. Temos que falar das consequências pós perda de grandes valores, do tempo em que um jogador profissional passa ausente dos familiares, do perigo iminente de sucumbir ao vício, da dificuldade de manter hábitos alimentares saudáveis, da falta de motivação para praticar atividades físicas por causa das longas jornadas dedicadas ao jogo e muitas outras consequências não menos relevantes.

Após ler o último parágrafo, você deve estar pensando que eu detesto pôquer. Afirmo categoricamente que não. Adoro jogar pôquer, amo invadir a mente do adversário, amo blefar, amo aprender e evoluir com jogadores diferenciados. Enfim, curto demais. Entretanto, a minha paixão pelo pôquer não é suficientemente capaz de inibir o meu senso crítico. Não posso fechar os olhos para o rabo preso que a mídia especializada tem com os seus patrocinadores, também não concordo com a tendência nociva de incentivo para as recompras ilimitadas nos torneios. Outro ponto intrigante diz respeito aos impostos cobrados em alguns torneios. Por que somente em alguns?

Enfim, muito ainda tem que ser feito pelo pôquer, principalmente aqui no Brasil, para que possamos discordar das declarações feitas pelo milionário Daniel Colman.

Além de humildes, temos que ser imparciais e realistas. Abraços!

Imagem: Shutterstock

Comentários

2 thoughts on “Os vulcões da demagogia

  1. Cara Lízia,

    Obrigado por ter comentado sobre o meu texto. Aliás, eu li e gostei muito do seu. Parabéns, você realmente escreve muito bem!

    Como você bem disse, o comentário do Daniel causou muita polêmica. Depois de analisar os seus pertinentes comentários e identificar a sua linha de pensamento, cheguei a conclusão que você tem razão: você tem a sua razão, baseada nas ferramentas que você dispõe.

    A minha concordância sobre as declarações do Daniel são baseadas em fatos, relatos e experiências que não são divulgadas pela mídia. São experiências que se adquirem ao longo dos anos infiltrado nos dois lados do pôquer.

    Veja bem; eu disse nos dois lados do pôquer. Eu pude constatar o quão sombrio o pôquer pode ser. Repare que eu disse pode ser, talvez.

    Com o passar do tempo, conhecendo um pouco mais o outro lado das cartas, quem sabe você possa interpretar as declarações do Daniel de forma diferente, sem que, para isso, precise radicalmente mudar a sua opinião.

    Abraços.

  2. Toda discussão e opinião é válida. Esta não foi tratada com seriedade pela atitude totalmente contraditória do protagonista. Se quisesse de fato mudar algo no poker ele doaria a premiação ou simplesmente pararia de jogar. Não é milionário? Qual o preço da moral? A mídia é demagoga. O Colman hipócrita.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha o campo abaixo para validar seu comentário * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.