O Home Game e suas armadilhas

Quem nunca participou de um joguinho de pôquer na casa de um amigo? Aquele poquerzinho leve, despretensioso, baratinho, jogado sem grandes estratégias, acompanhado daquela cervejinha gelada. Bom, né? Nesse clima descontraído a falinha rola solta e a zoação é obrigatória. Só que, infelizmente pela influência maligna de alguns praticantes, a maioria desses divertimentos caseiros vêm perdendo o sentido de confraternização e de entretenimento. Tem sempre um ou outro que não entende o verdadeiro espírito da coisa, ou seja, não percebe que nessas ocasiões o que menos importa é vencer. Esse tipo de peste contamina o ambiente, faz com que a gentileza, até então costumeira, dê lugar ao desaforo. Alguns seres mais elevados e sensitivos conseguem até enxergar a presença de uma nuvem negra sobrevoando a mesa. E, é nessa hora, sem que ninguém perceba, aproveitando-se do ambiente pesado que lhe é propício, que o Diabo emerge das profundezas do inferno, senta-se ao lado do dealer e literalmente incendeia o jogo. Os inocentes seguradores de cartas, sem perceber, influenciados pela presença maligna do chifrudo, deixam de ser amigos para virarem jogadores obcecados em ganhar dinheiro. E, no final da noite, o que era para ser divertido e barato termina cansativo e caro. A maioria dos participantes saem com a sensação de que nada valeu a pena.

Para não colocar em risco o orçamento financeiro de ninguém e nem precisar contratar uma rezadeira para afastar possíveis obsessores, procure ser seletivo na escolha dos convidados. Quando estiver jogando, tenha atenção redobrada naquele “amigo” que sempre quer aumentar os valores do cacife, que sempre tenta postergar o término do jogo, aquele cara que quando perde quer pagar com cheque pré-datado e quando ganha exige receber imediatamente em espécie. Lembrou de alguém? É esse mesmo, fuja dele. Qualquer semelhança com o capeta, nesse caso, não é mera coincidência.

Feche as portas do seu Home Game para os pobres de espírito. Convenhamos que lugar de fazer fortuna jogando pôquer não é na varanda ninguém.

 

Imagem: Demon of gambling, publicada em Magasin Pittoresque, Paris, 1845 (crédito: Marzolino/Shutterstock)

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Marcos Cerqueira

Marcos Cerqueira

Marcos Cerqueira é carioca, gosta de um bom papo, é apreciador de vinhos e colabora esporadicamente publicando textos no Metapoker.

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