Pokerstars organiza torneio misto de xadrez e poker

A temporada 4 do UKIPT, o Poker Tour do Reino Unido e Irlanda, trará uma novidade em sua edição em Isle of Man no próximo mês de outubro, um torneio combinado de Xadrez e No Limit Hold’em.

Marcado para o dia 3 de outubro, durante a disputa do dia 1B do Main Event, o torneio inovador terá cap de 40 jogadores, buy-in de 220 libras esterlinas, e será composto por cinco rounds de xadrez e um torneio de poker hyper turbo. A cada round no xadrez, o vencedor recebe mil fichas adicionais para a disputa do torneio de poker, que começa com oito mil fichas e blinds de 15 minutos. Vencendo as cinco partidas de xadrez, um jogador tem a oportunidade de começar o hyper turbo com 13 mil fichas, o que se torna uma vantagem para encarar as dobras rápidas de blinds e partir para os flips.

A estratégia é a base em ambos os jogos, e entre dar check no xadrez e dar check no poker, a ideia de realizar um evento como esse pode parecer incomum, mas certamente é uma tentativa de aproximar mais o poker de seus pares, os jogos de habilidade. Agora só falta o triatlo Xadrez/Poker/Gamão.

 

Fontes: Italia Poker Club e UKIPT.com. Imagem: Shutterstock/Constantine Pankin

Segunda Etapa do Poker Juventus já teve início

Local do evento
Local do evento

Começou nesta terça-feira o 2.o Torneio de Poker do Clube Juventus, conforme previsto pela organização no lançamento da série em março deste ano. O torneio abre suas inscrições a partir das oito da noite, com início programado para as nove.

Novamente com quatro dias iniciais, sendo dia 1A 24/06, dia 1B 26/06, dia 1C 1/07 e dia 1D 3/07, e final disputada no dia 4 de julho. O buy-in é de 80 reais para 10 mil fichas, com uma taxa opcional de 20 reais para um acréscimo de duas mil fichas. Rebuys por R$100 e Add-on pelo mesmo valor para 20 mil fichas. Atenção: Participantes do dia 1C (1.o de julho), ganham uma camiseta do Brasil.

 

Mais informações:
Acesse a página do site do Juventus aqui ou envie email para poquer@juventus.com.br.
Clube Atlético Juventus – Rua Comendador Roberto Ugolini, 20 – Mooca, São Paulo

Fonte: Site do Juventus e página do Facebook do clube. Foto: Divulgação Juventus

WSOP, séries de Las Vegas e muito poker

Daqui quatro dias começa a 45.a edição da World Series of Poker, com 65 eventos entre os dias 27 de maio e 14 de julho em Las Vegas. O tão falado torneio Big One for One Drop está de volta com o buy-in quase modesto de um milhão de dólares, e se o field chegar a 56 jogadores, a expectativa de premiação para o campeão é de mais de 20 milhões, além de um bracelete de platina.

Além do Big One e dos tradicionas Poker Player Champioship ($50 mil de buy-in) e o aguardado Main Event, outros torneios notáveis são o Evento #08 – Millionaire Maker NLH, com buy-in de 1.500 dólares e um milhão garantido ao campeão; e o Evento #41 – Dealer’s Choice, um 6-handed com buy-in de dez mil pratas e 16 modalidades de poker à escolha do jogador que estiver no assento do botão. Deepstacks diários e com preços mais em conta, mas sem valer bracelete, ocorrem em três horários, 3 e 6 da tarde e 10 da noite. Para o cronograma completo da WSOP, clique aqui.

Importante saber que nesta edição da WSOP, jogadores não-americanos terão que apresentar, além de um documento como o passaporte, um comprovante de residência para efetuar sua inscrição em qualquer um dos eventos, conforme divulgado pelo PokerNews nessa quinta-feira, após a organização da WSOP informar a novidade pelo seu canal no twitter.

Nesse período, Vegas não é apenas WSOP, e há uma enxurrada de séries e torneios que acontecem na cidade. Além dos torneios diários em grande parte dos cassinos, Golden Nugget, Venetian, Bellagio, Planet Hollywood e Aria também divulgaram as agendas de suas séries de poker. Pra quem vai à Sin City, uma grata iniciativa, o jogador belga Kenny Hallaert (@SpaceyFCB) divulgou no fórum TwoPlusTwo uma planilha bem trabalhada, compilando a listagem de todas as séries de poker que ocorrem entre maio e julho deste ano. Para ver o tópico no TwoPlusTwo, clique aqui, e para baixar a planilha, clique aqui.

Pra quem vai e pra quem fica, mas está curioso sobre a dinâmica do poker em las Vegas, uma dica de leitura é o livro Floating in Vegas, que fala do small stakes poker da cidade, e pode ser comprado por R$ 29,90 na Loja MaisEV.

Fontes: PokerNews, WSOP.com, Loja MaisEV, TwoPlusTwo e Kenny Hallaert. Foto: Las Vegas Strip (M. Naccarato)

Mulher sim. Jogadora de poker sim. Vulgar nunca!

Texto de Mercedes Henriques, do Queens of Poker

Meu nome é Mercedes, sou mulher, jogadora de poker e faço parte do grupo Queens of Poker, que promove a inclusão de mais mulheres nesse esporte da mente. Atualmente o percentual de mulheres jogando nos eventos live é estimado em 5%, e um dos nossos principais objetivos é incentivar a participação feminina para aumentar esse percentual e tornar perceptível o talento das mulheres para o poker. Tentarei me expressar de forma simples e objetiva, sem palavras difíceis, pois este não é o meu perfil.

Fui convidada a fazer este post, porque estava muito indignada com uma propaganda de um clube de poker, anunciando um jogo, que para as mulheres o buy-in seria grátis e blá, blá, blá. Os responsáveis pelo marketing utilizaram a figura de uma mulher seminua, com umas cartas de baralho por cima. Quando vi, primeiro achei que era propaganda de casa de massagem ou boate, demorei para associar a imagem a um convite para mulheres jogarem poker. Acho que tiveram a idéia errada para essa chamada, não somos um produto a venda e nem gostamos que nos associem a este tipo de imagem erotizada, somos mulheres e queremos respeito, não importa em que ambiente estejamos.

Não quero levantar bandeira feminista nem queimar peças íntimas na praça. Mas gostaria que os empresários das diversas áreas desse esporte, como donos de clubes, revistas, blogueiros e profissionais de marketing, se ligassem em fazer melhores chamadas. Utilizem mulheres jogando, pois isso sim chamaria a atenção de outras mulheres a jogar. Estamos em luta para atrair mais jogadoras femininas, temos maravilhosos exemplos de mulheres se destacando cada dia mais, como por exemplo Alê Braga, Milena Magrini, Beatriz Fonseca, Thalita Cascaes e Igianne Bertoldi, atual campeã da Etapa BSOP de Foz do Iguaçu. E isso porque só mencionei algumas jogadoras nacionais, peço desculpas as que não falei o nome aqui, pois ficaria muito longo meu post (hahaha).

Vamos respeitar essas profissionais que estão lutando para conquistar o espaço feminino nesse esporte. Para jogar poker não importa seu sexo, sua cor, sua crença ou idade. É preciso que se saiba jogar e que estude para se aperfeiçoar. Não queremos protecionismo por sermos mulheres, só queremos respeito, respeito nos clubes, nas salas de poker e nas mídias.

Sou mulher, sou jogadora de poker, sou Queen com orgulho.

PS.: Utilizei nesse post, algumas frases de amigas jogadoras, agradeço por isso, pois são pessoas comprometidas com um só ideal.

 

Foto: Blog Chez Meloni, sinal de trânsito na Alemanha

TiltBook, a rede social de poker

Aparentemente simples, o Tiltbook é um site de poker que pega carona na onda das redes sociais, e já conta com quase 14 mil usuários, conforme a contagem escancarada em sua home page.

Lançado na segunda metade de 2012, a rede social projetada para jogadores de poker é uma crescente comunidade voltada para o joguinho, onde você pode compartilhar livremente resultados, pensamentos e chororô, sem correr o risco de ser mal interpretado por quem não manja do assunto, como acontece no Facebook e Twitter. Ao menos é o que diz o site PokerNews, em matéria do final de março deste ano, que aparentemente parece estar promovendo o Tiltbook, e até fez uma reportagem com os dez melhores posts da página no ano passado (clique aqui e confira).

Em seu vídeo promocional no YouTube (ao final desta página), o Tiltbook aparece como uma solução para quem está cansado das bad beats e dos fóruns de poker. E foi justamente no fórum TwoPlusTwo, que encontramos um usuário desconfiando da legitimidade do site, alegando que trata-se apenas de uma forma de obter dados dos jogadores.

Se você se interessou, o cadastro pode ser feito rapidamente, o manuseio é simples e logo se entende como funciona, porém, não espere encontrar algo cheio de funcionalidades e similar ao Facebook.

Confira o vídeo promocional do Tiltbook

 

Fontes: PokerNews, TwoPlusTwo e TiltBook. Foto: reprodução

Corinthians Poker Circuit começa nesta quarta-feira, mas satélites oficiais já estão rolando

Com o torneio de abertura programado para esta quarta-feira, dia 13, começa o Corinthians Poker Circuit, uma iniciativa do departamente social do clube, e a primeira investida do Corinthians no mundo do poker. Satélites para o evento principal já estão ocorrendo desde segunda-feira no salão nobre do clube, e você pode conferir a grade oficial dos qualificatórios clicando aqui.

Cronograma do evento segundo o site oficial:

  • Main Event NLH – de 14 a 20/11 – Buy in R$1.850
  • Ladies Only NLH – 15/11 – Buy in R$350
  • Second Chance NLH – 17/11 – Buy in R$350
  • PLO – 18/11 – Buy in R$800
  • 6-max NLH – 19/11 – Buy in R$500
  • High Rollers NLH – 19 a 20/11 – Buy in R$4.000
  • Last Chance NLH – 20/11 – Buy in R$350

A empreitada de um clube de futebol organizando um torneio de poker nessas proporções é inovadora, embora o Botafogo já tenha montado uma equipe própria de jogadores profissionais de poker ano passado (clique aqui para conferir a nota do Lancenet).

No início da divulgação do circuito, algumas questões foram levantadas pela comunidade do poker, referentes ao uso indevido de imagens de alguns jogadores, a proximidade com o BSOP Millions, e a previsão de premiação de um milhão e meio de reais, contudo, a cada dia mais personalidades confirmam presença no evento, incluindo o secretário de Esportes, Lazer e Recreação da cidade, Celso Jatene. Até a noite desta segunda-feira foram efetuadas 150 inscrições para os três dias 1, de acordo com o placar de entradas no site oficial do evento.

Corinthians Poker Circuit – Sede do Corinthians, Rua São Jorge, 777 – Tatuapé, São Paulo.
Para mais informações, acesse o site oficial www.corinthianspokercircuit.com.br
Fontes: Site Oficial do Corinthians e Corinthians Poker Circuit.

Livro sobre os cash games ilegais da Itália é lançado

maiprimadelleotto_thumbMai prima delle otto. Tutto quello che sta intorno, dietro (e sotto) un tavolo da poker, que pode ser traduzido por “Nunca antes das oito. Tudo o que está ao redor, por trás (e abaixo) de uma mesa de poker”, é o título do livro do italiano Federico Ziberna, que não tem nada a ver com a grande maioria dos livros técnicos de poker no mercado, pois mostra a atmosfera dos cash games ilegais na Itália sob o ponto de vista de seus organizadores.

Lançado no começo de novembro, a obra pretende contar a verdade, os subterfúgios, e desvendar o submundo do poker na Itália. Segundo o autor, se trata de um livro que aborda o jogo por um novo ponto de vista, trazendo a perspectiva dos cash games clandestinos que atravessam as noites, e nunca acabam antes das oito. De acordo com a reportagem do site Italia Poker Club, o livro de Ziberna, escrito em italiano, está a venda no site da Amazon italiana, e aparentemente pode ser comprado no Brasil se você possui um ID da Amazon.com (clique aqui).

O tema parece bastante interessante, e embora muitos torçam o nariz frente a possibilidade do livro mostrar pontos negativos do poker, por trazer à tona o jogo ilegal, ele contribui como um indicador do que acontece nos países onde a legislação para o poker ainda não está bem clara, afinal, mesas de cash espalhadas pelas madrugadas, aqui ou numa cidadezinha no meio da bota, são bastante comuns, e não só merecem ser registradas, como ajudam a promover um entendimento mais amplo da prática do poker.


Fonte Italia Poker Club. Foto Amazon.it

 

Floating in Vegas, um retrato descontraído do small stakes poker da Sin City

Não basta apenas dizer raise para falar um bom inglês nas cardrooms de Las Vegas, é preciso equilibrar emoção e lógica para vencer na cidade mundial do jogo. O autor Marco Naccarato disputou, ao longo de um ano e meio, 52 torneios dos mais variados em suas três viagens, e com uma linguagem despojada, relata a dinâmica do poker na Sin City. Floating in Vegas pode parecer um livro técnico, e de fato contém alguns debates e interpretações sobre o hold’em e as diversas mãos disputadas, além de trazer um tutorial para os iniciantes no jogo, mas seu forte não está exatamente aí. A autenticidade da narrativa e sua estrutura, contribuem para o livro ser diferente da maioria das obras no mercado, e mostra que poker não é apenas flop, turn e river, mas tudo o que está em sua volta.

fivA primeira parte do livro é bastante descritiva, vinculando os acontecimentos à narrativa das mãos jogadas e dos tipos de jogadores que habitam o small stakes da cidade. Já na segunda parte, Naccarato incrementa o texto com algumas análises sobre o jogo e as poker rooms, além de relatar o caminho até conseguir o buy in para jogar um evento da World Series of Poker. O autor encerra o livro narrando a Vegas do entretenimento, uma cidade que não é só do jogo e que está sempre pronta para receber turistas e oferecer uma grande variedade de atrações, e talvez, todo esse conjunto torne o livro uma espécie de guia para os futuros viajantes.

“Floating in Vegas – Um relato sobre os torneios de poker de buy in baixo dos cassinos de Las Vegas”, foi lançado em setembro de 2012, e pode ser comprado na Loja MaisEV pelo preço de R$19,90 ou na versão ebook por R$13,32 na loja online da Amazon. Confira abaixo um dos capítulos na íntegra:

Floating in Vegas – Capítulo 13

A única coisa que consegui fazer bem na noite de sexta-feira foi dormir bastante, acordando às dez e apreciando a paisagem da janela. Desta vez pegamos um quarto na torre sul do Bally’s e nossa vista era animal, no último andar, de frente para a torre Eiffel e a piscina do Paris e com vista para o southbound da Strip. Dava até para ver metade do lago artificial do Bellagio e assistir seu espetáculo de dança das águas*, nada mal. Ao cair da noite, aquilo fica um emaranhado de luzes, é de encher os olhos. O que ainda incomodava – tal qual no ano anterior – era o lacre nas enormes janelas de vidro, estrategicamente fechadas num quarto de fumantes. Impossível não sair defumado lá de dentro. Até tentamos arrancar os parafusos dos batentes, sem sucesso. Eles devem trancar as janelas para que nenhum maluco adicto perdedor se atreva a voar pelas finestra.

Depois de um banho, desci até a Poker Room do hotel e peguei a fila para a inscrição. Muita gente havia chegado, como é de costume nos finais de semana, e o field do regular das onze bateu 35 jogadores. Não havia mudanças no espaço, mas a estrutura estava bem melhor, apesar do aumento do buy in para 75 dólares. O stack inicial aumentou para cinco mil fichas e o primeiro nível de blinds subiu para 50/100. Como as dobras são de vinte minutos, posso dizer que há um bom espaço de manobra em comparação aos torneios do dia anterior e, se você mostrar a que veio nos primeiros dois níveis, a chance de se colocar bem na mesa final é grande. Havia melhores jogadores, mas havia muito pato também, então o jeito foi atacar. Dominei a mesa na primeira hora e consegui dar muitos nocautes, até a mesa ser quebrada. Na nova configuração, adversários mais difíceis, mas eu tinha ficha para contra-atacar e, por sorte, não tomei nenhuma trombada no caminho para FT. Quando a bolha se aproximou, estávamos 5-handed e shovei tudo com AQoff. Encontrei AA no big e levei uma boa fatiada, que me deixou prestes a ser o bubble-boy. Sem outra opção, empurrei dois all ins seguidos, que me fizeram recuperar parte do stack. Na mão seguinte, assisti o quarto e quinto colocados serem eliminados duma só vez e agora eu estava frente a um prêmio razoável. Fui para a batalha contra um americano local e um portuga.

Naquele momento eu estava eufórico. Já tinha garantido 327 dólares de prêmio, o que me deixava com um lucro de praticamente metade do valor do buy in da World Series, mas o objetivo era abocanhar o primeiro prêmio, uma pequena bolada de 800 pratas! Comecei então a reavaliar e classificar os dois adversários; o americano certamente era o mais casca, tinha a manha do jogo e estava bem concentrado. Curiosamente, ele simpatizou comigo e a cada boa jogada que eu fazia, ele elogiava, porém não deixava de betar forte quando entrava numa mão contra mim. Ele era o chipleader e certamente seria o adversário da final. O portuga era do tipo turista agressivo, que também betava forte, mas sem muita técnica, e blefava sem contar a história direito. Logo mirei o Camões e empurrei os blinds dele por algumas mãos sem a intervenção do americano, o que me deu um fôlego até a primeira dobrada. Estourei all in com um par e ele pagou com Ás fraco. Pronto, agora o portuga e eu estávamos praticamente iguais em fichas e foi na mão seguinte que a cagada aconteceu. Com blinds altos, paguei o all in dele segurando AK naipado e ele mostrou KJoff. Dois valetes no flop acabaram com a festa. Levei somente os 327 dólares.

Ainda fiquei um tempo assistindo o portuga levar uma sova do ianque. Ele nem ao menos durou quatro mãos. Tentou passar mais um blefe sem sucesso, levando uma fatiada monstro. Ele jogava o típico jogo do fraco é forte: quando estava com boas cartas limpava, cartas ruins, shovava. Assim ficou previsível demais e acabou sendo eliminado pelo americano, com uma trinca na orelha. Ao final da contenda, fui ao Imperial tentar o torneio das três da tarde. Mais 40 pratas num field relativamente fraco, com 35 caras. Fiquei chipleader na minha mesa, mas tomei duas boas fatiadas e, no quinto nível de blinds (300/600), empurrei os 6k restantes com AKoff e tomei call de um par de putas. Caímos entre os 14.

Ficou bem claro que não havia nos fields jogadores profissionais, mas, regularmente, pintavam dois ou três caras que tinham um pouco mais de experiência no baralho. Aos poucos eu estava conseguindo traçar o perfil dos jogadores médios desses torneios. Basicamente, os jogadores com mais idade jogam assim: um terço quase sempre busca as brocas e os draws de straight e de flush após o flop e, independente do valor apostado no flop e no turn, vão dando call até o river sem pensar muito. Típico do jogador que pensa somente nas próprias cartas, a ponto de ser possível betar com nada na mão e ser pago em todas as streets até o fold deles no river. Esses velhotes também não largam a mão se acertarem top pair, mesmo que o kicker seja um patético 3 e, quando acertam dois pares, apostam furiosamente, ficando muito fácil largar. Eles também vão limpar qualquer par, mesmo ases e reis, então, se um deles mostrar força no flop, também fica fácil foldar. Os dois terços restantes praticamente se inscrevem no torneio para assistir a batalha e ficam pacientemente esperando boas mãos, vendo seu stack sangrar. Jogando assim, eles não recebem muita ação da mesa, ou melhor, só recebem ação de jogadores mal intencionados, como eu. O que se pode fazer é pagar com cartas marginais e espantá-los com uma c-bet em flops que não contenham ases ou reis. Na maioria das vezes isso funciona bem, caso contrário, se você preferir não se arriscar, basta dar fold, porque esses coroas não entendem muito da dinâmica do torneio – principalmente da relação de stack e blinds – e dependem muito de cartas para ir longe, o que acaba deixando-os sem opções quando as dobras sobem demais. Eles são sempre engolidos pela estrutura e se, eventualmente, um deles pegar boas cartas no caminho e conseguir chegar a uma final, é só jogar bem agressivo que eles não aguentam o tranco. No geral, eles já ficam felizes quando alcançam a faixa de premiação. Os coroas de Vegas que jogam bem obtêm seus resultados porque jogam de forma agressiva e não hesitam em botar tudo no pano para espantar os adversários.

A maioria dos jogadores americanos é turista de cidades próximas ou de outros Estados e não estão em Vegas pelo jogo em si. São caras entre 25 e 40 anos que estão lá para se divertir e que encaram o poker da mesma forma que jogam nas mesas de blackjack, craps ou roleta, inscrevendo-se nos torneios pela adrenalina e pela emoção de encontrar a sorte numa mão ou outra. Eles têm uma noção básica do jogo, ficam nervosos à mesa, dão muitos tells e também não largam top pair, mesmo que haja uma sequência óbvia no bordo. Quando estão em algum tipo de draw no flop, pagam rapidamente a sua aposta, mas desitem frente a segunda barreira** no turn. O curioso é que todos conhecem bem as regras – o poker é algo muito familiar para eles, tanto quanto o futebol é muito próximo de nós –, mas é como dizer que eles sabem jogar xadrez, quando na verdade só sabem mexer as peças sem estratégia alguma. Eles são os fishes que pagam a conta. Apenas uma parte dos americanos, os jogadores locais, joga bem, e se você trombar um desses na mesa, terá que gastar alguns neurônios porque eles têm um acervo variado de jogadas e estão lá exclusivamente pela grana.

Principalmente nessa época do ano, os torneios quase sempre têm um viciadão todo paramentado, boné e blusão do WSOP, uma réplica de bracelete no braço e todos os maneirismos de um jogador profissional, o legítimo wannabe. O fato é que a maior parte deles não passa de um reclamão azarado fazendo o papel de sabichão, sem perceber as próprias falhas no jeito de jogar. Eles são comentaristas e vão discutir quase todas as mãos em que estão envolvidos, soltando repetidamente um “eu sabia***” quando perdem suas mãos. Curiosamente, esses caras são fortíssimos pára-raios de baralhada, verdadeiros colecionadores de bad beats, o que deixa tudo muito tragicômico. Desconfie deles, pois não são fortes oponentes. Eles querem mais o poker do que o poker os quer. Há também maníacos em Vegas, mas eles são ligeiramente diferentes dos de São Paulo. Na Sin City, e nesse tipo de torneio de buy in baixo, eles são em menor número e, para pegar um deles, basta dar check/call até o river, ou então esperar um bom spot para tirá-los da mesa – diferente de Sampa, onde funciona muito mais deixá-los desconfortáveis com um reraise. Mulheres, no geral, jogam de forma tight e dão poucos tells, mas o nível de habilidade varia muito.

Quanto à legião estrangeira, jogadores escandinavos são mais frios e calculistas, dão poucos tells, e invariavelmente são jogadores tight e meticulosos, com padrões de apostas e moves muito bem definidos. Basta ficar alerta e entender o modo como eles jogam. Turistas italianos são agressivos e baralhões, como se fossem mais espertos ou malandros que os outros. O restante dos europeus em geral não joga bem, são os típicos turistas de férias em Vegas, exceto os britânicos, que são um pouco acima da média.

Claro que tudo isso é um pouco de estereótipo e existem alguns desvios na análise, mas há muita coisa que procede em se tratando dos turistas médios que se arriscam nos feltros da cidade. O ponto principal que não deve sair de sua atenção é mostrar a que veio na mesa. Ser agressivo faz diferença e vai te dar uma vantagem nos torneios. Outra coisa que funciona muito bem é aguçar a percepção para os tells; os turistas praticamente entregam suas mãos com o olhar e a postura. Para todos os tipos há exceções e se você encontrar um verdadeiro bom jogador, pode esquecer toda essa classificação, porque aí não interessa se ele é local, turista ou coroa. Você vai ter que se virar para ganhar dele.

A noite de sábado foi longa e cheia de birita. Hora de descansar para encarar o domingo em Vegas.

* As fontes do Bellagio ficam bem em frente ao cassino, no cruzamento da Strip com a Flamingo Road, e o balé das águas rola a cada meia hora
** Segunda barreira ou second barrel é a aposta continuada no turn. Às vezes, mesmo uma third barrel funciona no river
*** Se sabia, porque pagou?