A falha do robô de poker Cepheus é humana?

Cepheus é o programa de computador desenvolvido pelos pesquisadores da University of Alberta, no Canadá, que promete resolver o jogo de poker. Segundo artigo do site Cartas na Mesa, trata-se de um software que joga um poker perfeito, sem cometer falhas, e imbatível no longo prazo mesmo quando perde uma série de mãos. Cepheus foi treinado contra si mesmo, e o que o torna imbatível é seu enorme banco de dados de bilhões e bilhões de mãos e o fato de aprender com seus erros passados, tudo isso aliado a uma alta capacidade de processamento, o que faz o programa e seu algoritmo encontrarem respostas eficazes para os mais variados tipos de situações.

Fascinante, não? A promessa dos pesquisadores em matar o jogo com o Cepheus é interessante, e gera conhecimento para ser aproveitado em muitas outras áreas com seu modelo matemático. Aliás, falando em promessa, o próprio nome do software é uma, Cefeu (Cepheus em português), é uma constelação que tem como estrela principal a Gamma Cephei, que deverá ser, até meados do ano 3000, a estrela mais brilhante do céu no hemisfério norte. A escolha do nome está relacionada ao programa antecessor, chamado Polaris, que também foi desenvolvido pela mesma universidade e faz menção a outra estrela, que conhecemos como Polar, a mais brilhante atualmente.

O programa Cepheus é um evidente avanço nos estudos do jogo, contudo há outras formas de olhar a questão, como já explorado na crônica O improvável futuro possível do poker. Cepheus não resolve o poker como um todo, apenas parte dele, através de um modelo desenhado para uma disputa de limit hold’em heads up. O jornalista Christopher Hall escreveu no The Guardian sua experiência de 400 mãos contra Cepheus, e embora a amostra seja muito pequena, ele afirma que o pokerbot tem uma falha: ele não se adapta.

O ponto principal é perceber que Cepheus não joga os jogadores, não considera o adversário, não reconhece o oponente, mas apenas joga seu próprio modelo, e o aplica com precisão. Se o software aprende a cada mão jogada, é porque está computando mais um dado, e não necessariamente aprendendo. Isso gera uma hipótese, onde o “vírus“ humano pode jogar de maneira completamente não convencional, e talvez contaminar a base de dados do software de forma a fazer com que o programa aprenda errado. Mas isso é muita viagem. Ou não. Contudo, queremos vencer Cepheus?

Vencer Cepheus pode parecer um trabalho de Sísifo, e espero, esse não deve ser o desafio. É evidente que uma calculadora faz contas mais rápido que você, e em alguns casos, alguns cálculos que você nem tem ideia. Desafio maior é conseguir enxergar Cepheus como um modelo, e não como condição para um jogo perfeito. Quem joga poker online e sente o quão mecânico se torna o clicar de botões, que o diga.

Os modelos não são o jogo em si, mas ferramentas. Ferramentas essas para tentar fazer com que você não jogue exatamente de forma mecânica, mas acima de tudo, crie através delas.

 

 

Fontes: Cartas na Mesa, Cepheus Poker Project – University of Alberta, The Guardian, texto de Sarah Zhang para Gizmodo Brasil. Imagem: Ociacia/Shutterstock (editada)

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